Morte do diretor Jonathan Demme também comove a música

Olha aí, olha aí, mais uma contribuição do Marcelo Seabra, vulgo meu irmão, do blog O Pipoqueiro, para o Rock Master! Cinema e rock!

O Cinema teve uma grande perda nesta quarta-feira, 26 de abril. O diretor Jonathan Demme foi derrotado na longa batalha que travava contra um câncer de esôfago e morreu aos 73 anos. Mas não é só o mundo de Hollywood que sentirá a falta de Demme: a música perdeu um de seus grandes entusiastas. Além de filmes e séries de televisão, o cineasta assinou clipes e documentários por toda a sua carreira.

David Byrne, com o Talking Heads, trabalhou com o diretor

Em atividade desde o início da década de 70, como roteirista, Demme teve seu primeiro crédito como diretor em 1974, com Celas em Chamas (Caged Heat). Em 1984, ele comandou Stop Making Sense, um documentário marcante que apresenta um show dos Talking Heads (clique aqui e veja o documentário). Tida como inovadora, a obra serviu para fortalecer a amizade de Demme e David Byrne, vocalista da banda.

           A banda New Order teve um clipe produzido por Jonathan Demme

Na sequência, trabalhou com o UB40 que, com Chrissie Hynde, fez uma releitura de I Got You Babe, de Sonny e Cher (clique aqui e veja o clipe). Em 1985, o clip de The Perfect Kiss o aproximaria de outros amigos, os membros da banda inglesa New Order (clique aqui e veja o clipe). No mesmo ano, trabalhou com diversos artistas no vídeo Sun City, contra o Apartheid na África do Sul, demonstrando grande preocupação social (clique aqui e veja Sun City). Demme dirigiu Bruce Springsteen em três clips, um deles para a canção vencedora do Oscar Streets of Philadelphia, da trilha sonora de Filadélfia, que também deu o prêmio ao protagonista, Tom Hanks (clique aqui e veja o clipe).

Com Neil Young, foram dois documentários, captando os shows em vídeo. Em Heart of Gold (2006) (clique aqui e veja Heart of Gold), Young oferece uma performance mais intimista, enquanto Trunk Show (clique aqui e veja) traz um músico mais enérgico. Em ambos, Demme parece capturar a alma de Young, mostrando-o em todas as suas nuances. No ano passado, o cineasta foi ao Festival de Toronto lançar Justin Timberlake + The Tennessee Kids, no qual não usou roteiro ou uma estrutura mais rígida. Na ocasião, o diretor disse à Reuters: “Quando filmamos música, para mim essa é a forma mais pura de filmagem. Não há um roteiro que precisa ser seguido. A única narrativa é a própria música”.

Demme levou o cobiçado Oscar de Melhor Diretor por O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs, 1991). O longa foi o terceiro – e último, até hoje – a ganhar o chamado Big Five, os cinco Oscars principais: Melhor Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro. Vários diretores, como Jim Jarmusch, Paul Thomas Anderson e Ron Howard, e atores, como Tom Hanks e Jodie Foster, se manifestaram via redes sociais sobre a perda do amigo. “Adeus, Jonathan Demme, um grande diretor e uma pessoa fabulosa”, escreveu o baterista do New Order, Stephen Morris.

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