Entrevista exclusiva do guitarrista Adrian Smith, durante turnê em Las Vegas

Tradução: Verônica Mourão

Confira entrevista exclusiva do guitarrista Adrian Smith, do Iron Maiden, ao Weekly, reproduzida pelo Iron Maiden Brasil.

Quando Iron Maiden pegou estrada em fevereiro de 2016, a banda parou em Las Vegas e começou a excursionar com o épico álbum duplo: The Book of Souls. Desde aquelas iniciais datas americanas, o Maiden visitou mais de 34 países, tocando pela primeira vez  em El Salvador, Lituânia e China.

A banda continua a ser notoriamente conhecida  pela apresentação de um dos shows mais impressionantes do heavy metal, tanto em termos de desempenho quanto produção – Cada turnê do Maiden tem engendrado maneiras de entregar a melhor experiência possível aos seus fãs.

O guitarrista de muito tempo da banda, Adrian Smith frisou numa conversa recente com o Weekly,  que o que você ganha com o Iron Maiden é 100% genuíno.

“Não é uma máquina. Você vê hoje em dia bandas jovens bem-sucedidas, e o som deles é incrível ” diz ele “Mas se você realmente ouvi-la, é quase como que feita pelo computador, é tudo muito perfeito. Você só se pergunta se aquilo é real ou não é. Conosco é muito real e sem usar nenhum truque. Você faz tudo com sangue e suor. É um lance de verdade!”

 Veja a entrevista completa:

W- Ouvindo coisas como “The Red and the Black”, canção do seu último álbum, parece que seria realmente legal tocá-la ao vivo.

“Ela é totalmente incrível! Quero dizer, você tem que estar totalmente preparado para músicas de 13 minutos [como essa]. É uma canção muito grande para se tocar ao vivo, mas é bastante divertida ao mesmo tempo, e ela tem mudanças suficientes que a tornam interessante. É certamente um desafio tocar todas as noites.”

W- Com um álbum duplo novo e tantos sucessos antigos favoritos dos fãs, deve ter sido um processo complexo escolher o set list para esta turnê.

Sim, para as músicas antigas, o conjunto da obra geralmente escolhe por si mesmo. “Fear of the Dark” sempre foi popular ao vivo. “Iron Maiden”, nós sempre tentamos não tocar, mas não tem jeito. Acho que tocamos ela em todo show que fizemos com a banda.  Então, algumas músicas estão presentes por si só no setlist. Da mesma forma para o álbum. Posso dizer que quando você está ensaiando e escrevendo o álbum, tal música vai ser uma grande canção ao vivo.

W- Tem sido mais de 40 anos desde que o baixista Steve Harris começou a montar a banda, e no ano passado da turnê,o Iron Maiden buscou novos lugares para visitar. Quão surpreendente é, quando você percebe que há um território ainda inexplorado lá fora?

Eu nunca tinha pensado em tocar no Dubai. Eu não achava que haveria nenhum motivo para irmos à Índia. Mas você sabe, lá tem garotos que amam metal. Nós fomos para a China, e isso foi ótimo. As pessoas eram simplesmente uma platéia enlouquecida. Por isso é ótimo para expandir seus limites e visitar novos lugares

IRON MAIDEN LAS VEGAS 28/2/16

W- O Book of Souls foi o quinto álbum que vocês fizeram com Kevin Shirley “por trás da fama”. O que ele traz para o seu processo como uma banda e o que você realmente gosta?

Ele é da velha guarda. Ele gosta de gravar ao vivo. Sempre fizemos registros ao vivo, realmente. Gravamos todos tocando juntos, e então nós usamos o overdub*, refazer as guitarras e os vocais. Mas agora, é praticamente ao vivo. Nós consertamos algumas coisas e fizemos algumas overdubs* e é isso. Como viemos fazendo isso durante um tempo, você meio que sabe o que está fazendo, e apenas tenta adaptá-lo na fita. Mas você ainda está tocando pras quarto paredes quando você está no estúdio, e isso é sempre um problema. Você está tentando dar vida e energia mas não tem nenhuma platéia para tocar porque a banda só prospera mesmo, na frente do público. Esperamos que isso funcione as vezes.

W- Como que se tem o Iron Maiden ao longo de 35 anos, e como você tem visto as mudanças banda desde o início dos anos 80?

Quando entrei pela primeira vez, eu não podia acreditar na energia deles e quão rápido eles tocavam as músicas. Foi pura adrenalina, energia, testosterona. Fomos no palco e só fomos pra isso. Acho que agora estamos um pouco mais comedidos. Gostamos de dar um pequeno espaço entre as músicas para que todos possam se expressar dentro da estrutura da música. Há mais de respeito pelas outras pessoas.

Quando você envelhece, você dá espaço para as pessoas, lhes dá um pouco mais de respeito, você considera a forma como eles estão sentindo

Eu acho que você se depara com isso. Mas quando nós chegamos neste estágio, algum dos velhos sentimentos vem à tona as vezes e ainda sentimos alguns obstáculos entre as canções. Eu gosto de dizer que isso está poderosamente controlado agora. Esse é meu lema pro show: “Mantenha isso forte, mas controlado”.

W- É impressionante para mim que a banda ainda pode se expressar dessa maneira e manter essa intensidade.

Bruce é incrível, uma força da natureza. Ele tem muita energia. É abençoado com isso. Steve gosta de jogar tudo pra cima e rebentar o quanto ele pode, e estou sempre tentando de puxá-lo de volta um pouco. É empurrar e puxar, sabe….

W- Esta tourne vai acontecer até Julho. O que há em mente depois disso? Que tipo de conversa vocês têm tido sobre o próximo álbum a partir desse ponto?

Se quisermos, podemos ir fazer outro álbum. Ou ir tocar outras coisas. Ainda não sei. Nós não temos falado sobre isso.

W- Este ano marca o 35º aniversário do álbum The Number of The Beast. O que vem à mente quando você olha para trás, a experiência de escrever e gravar esse disco?

É o meu segundo álbum com a banda, o primeiro com Dickinson. Havia muita coisa acontecendo. Sim, houveram muitas mudanças. Estávamos tipo de uma banda ascendente, ainda tentando fazer o nome na América. Parece tão recente, mas já tem muito tempo. Eu comecei a escrever um pouco pro álbum e comecei  a me expressar um pouco mais. Steve se preocupava mais com as grandes coisas, obviamente, a faixa-título. Foi um álbum forte. Nós gravamos em Londres, e não fizemos isso outra vez por muitos anos.

W- Você tinha noção que faria um álbum que iria de fato teria um grande impacto?

Ele criou um pouco de agitação, para dizer minimamente; especialmente naquela época na América. As pessoas estavam chamando-nos adoradores do diabo, e nada poderia estar mais longe da verdade. Éramos uns caras Londrinos à frente do nosso tempo, pelo menos tanto quanto eu sei.

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