Com revisão/apoio de Marisa Mendonça
Segundo Jeff Scott Soto, a ideia dessa turnê surgiu quando, no ano passado, ele e Eric Martin fizeram a “Double Trouble tour”, onde dividam o palco separadamente e, ao final, juntos. O cantor porto-riquenho disse que a excursão foi tão divertida que seria sensacional se pudessem não só repeti-la, quanto expandi-la. A ideia foi levada à Top Link, agenciadora de ambos, que topou imediatamente. Logo, a dupla recebeu a adição de Tim “Ripper” Owens e Edu Falaschi. Surgia, assim, o “Masters of Voices”, projeto em excursão pela América Latina que passou por Belo Horizonte na última sexta-feira.
O quarteto, no entanto, não está sozinho. Para abrir a noite, foi escolhida a Velvet Chains, banda de Las Vegas pouco conhecida por aqui, mas que possui um álbum completo e dois EPS em uma carreira iniciada em 2018. O quinteto formado por Chaz Terra (vocais), Von Boldt e Philip Paulsen (guitarras), Nils Goldschmidt e Jason Hope (bateria) trouxe seu hard rock de Nevada para o palco do Mister Rock fazendo um bom trabalho para aquecer o público presente. A dupla de guitarristas chegou mesmo a descer do palco e executar parte de uma de suas músicas primeiro no meio do pessoal da pista premium e, depois, em um dos camarotes da casa, que estava fechado para o público. Dentre os destaques de seu set estão “Wasted”, “Hurt Me” e uma versão rocker para “Suspicious Minds”, de Elvis Presley.
Com o público bem aquecido, não demorou muito para que o primeiro master of voice subisse ao palco. Eric Martin chegou acompanhado de uma banda de peso, que dá apoio aos quatro vocalistas, tocando com maestria por mais de duas horas: os guitarristas Marcelo Barbosa (Angra) e Leo Mancini (Spektra), o baixista Felipe Andreoli (Angra) e o baterista Edu Cominato (Spektra). Eric começou com “Take Cover” e seu set foi totalmente focado em sua carreira no Mr. Big. Ele fez ótimas escolhas, alternando músicas mais rápidas como “Colorado Bulldogs” e “Addicted to that Rush” com as clássicas baladas “Wild World” e “To be with You”, ambas cantadas em uníssono pelo público presente. Eric também interagiu bastante com o público e com a banda, mostrando o carisma de sempre.
Antes de sair de cena, Eric chamou “Ripper” Owens ao palco e daí a coisa mudou de figura. Um headbanger de carteirinha, com passagem por Judas Priest e Iced Earth, “Ripper” demonstrou, mais uma vez, o motivo de ter sido escolhido para substituir o lendário Rob Halford no Judas e torna meio incompreensível o fato de seu trabalho lá ser esnobado pelos fãs – mais ou menos o que acontece com o período de Blaze Bayley no Iron Maiden.
Mesmo visivelmente incomodado com problemas no seu microfone, Owens não deixou de mostrar ao público toda sua potência vocal em músicas como “Eletric Eye”, “Painkiller” e “Breaking the Law”. Fugindo um pouco de Judas, ele mostrou sua versão para “Highway to Hell”, do AC/DC e fechou os trabalhos com “Heaven and Hell” em uma bela homenagem a Ronnie James Dio. Podia ter encaixado alguma coisa do Iced Earth, banda na qual gravou o sensacional “Glorious Burden”, em seu setlist. Talvez em uma próxima ele considere fazer isso…
Se “Ripper” teve problemas com seu microfone, Jeff Scott Soto se preveniu e trouxe seu próprio. Olha, eu sempre digo que Jeff é um dos caras que mais trabalha no hard rock e é um profissional que merece mais reconhecimento na cena. O sujeito é um excelente performer. Além de uma voz com a potência de poucos, ele possui um carisma e uma presença de palco absurdos. Jeff brinca com a banda e com a galera o tempo todo, arrisca um português e, vai além, descendo do palco para se misturar ao público da pista “normal” quando da execução de “I’ll be Waiting”, do Talisman, banda na qual permaneceu por mais tempo. O cantor mais rodado de todos da noite, Jeff revisitou sua passagem por W.E.T (“One Love”), Yngwie Malmsteen (“I’m a Viking/I’ll See the Light Tonight), Sons of Apollo (“Coming Home) e Journey (“Separate Ways – Words Apart), dentre outros. De longe, o segmento mais divertido e satisfatório da noite.
Edu Falaschi veio a seguir, trazendo o heavy metal para o palco novamente, explorando sua fase no Angra. Focando em “Rebirth” e “Temple of Shadows” (álbuns que revisitou em turnês solo recentemente), ele mostrou que, apesar da idade, ainda consegue alcançar tons bem altos e mostrar a emoção certa para músicas mais cadenciadas como “Bleeding Heart” e “Rebirth”. A parte mais pesada ficou por conta de “Millennium Sun” e “Heroes of Sand”, dentre outras.
Ao fim da apresentação de Edu os demais retornam ao palco para, a quatro vozes, fechar a noite com “Living after Midnight”, do Judas Priest. Aqui, novamente, Jeff e Ripper foram os destaques, com Edu e Eric, ainda que mais discretos, fazendo um bom trabalho.
Se o objetivo de Jeff e Eric era fazer uma turnê que trouxesse não só muita música, mas bastante diversão ao seu público, podem ficar felizes, pois a missão foi mais do que cumprida.
O Rock Master agradece à Ivana Andrade (Andrade Asessoria) pela parceria que proporcionou mais essa cobertura.
Confira abaixo fotos do show pelas lentes de Alexandre Guzanshe e Rodrigo Monteiro.
Velvet Chains


Eric Martin





Tim “Ripper” Owens





Jeff Scott Soto





Edu Falaschi



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