Primal Fear volta a BH em grande estilo

Um dos principais nomes do power metal alemão, o Primal Fear aproveitou sua participação no festival Bangers Open Air, que rola no último fim de semana de abril em São Paulo, para ampliar sua passagem pelo continente e apresentar seu novo álbum, “Domination”, de 2025, a outras cidades da América Latina. Belo Horizonte foi uma delas e presenciou um bom show no feriado de Tiradentes.

Pode ser devido ao feriado ou a outros fatores, mas a realidade é que o Mister Rock, apesar de receber um bom público, não estava nem perto de sua capacidade total. O que é uma pena, porque o Primal Fear entregou uma performance excelente, muito apoiada no carisma de seu co-líder, o vocalista Ralph Scheepers.

Programado para as 21h00, o show sofreu aquele atraso costumeiro, mas não passava muito da hora marcada quando os guitarristas Magnus Karlsson e Thalìa Bellazecca, o baterista André Hilgers e o baixista substituto Dirk Schlächter (Gamma Ray) subiram ao palco para inaugurar os trabalhos com a intro “We walk without fear”, que logo emendou-se em “Destroyer”, agora já com a presença de Ralph no palco, mostrando que seu alcance vocal absurdo se mantém quase inalterado, mesmo com o passar dos anos.

A partir daí, o show andou mais ou menos como se espera de uma banda veterana, onde músicas que fazem parte do motivo da turnê (novamente, o álbum “Domination”), dividiram lugares com algumas clássicas, como “Nuclear fire”, “I am the Primal Fear”, “Seven seas” e outras que levantaram o público presente no Mister Rock. Nem a ausência do baixista titular e co-fundador da banda, Mat Sinner, foi sentida, tamanho o entrosamento e a energia vinda do palco. Mat sofreu um acidente em um show na Inglaterra, machucando a perna gravemente, o que o impediu de vir nesta turnê.

Além do setlist bem equilibrado, a grande atração da noite foi mesmo Ralph Scheepers. O “gigante” tem um carisma reservado a poucos. Ele não é do tipo que chega, canta e vai embora. Muito antes pelo contrário, Ralph faz questão de interagir com o público a todo momento. Ele faz piadas, rege a galera em momentos de refrão ou os tradicionais “ôôôôô” entre músicas e arrisca a se comunicar em português, mesmo com um vocabulário bem limitado em nosso idioma. O homem chegou mesmo a cantar o refrão da música mais conhecida – na verdade, a única conhecida – do sertanejo Michel Teló só para mostrar como aprendeu um pouco da nossa língua. Obviamente que, imediatamente, ele se “redimiu” perante a todos dizendo que sabia que o público ali odeia aquele tipo de música e que ele partilha desse sentimento, “mas eu queria usar um pouco do meu português com vocês”.

Entre brincadeiras e “porradas” vindas de cima do palco, o show foi bem conduzido até “Metal is forever”. Aqui, ao invés de se retirar aos bastidores para invariavelmente voltar depois, o quinteto simplesmente sentou-se no apoio da bateria, tomando cerveja e ainda interagindo com o público. Segundo Ralph, sair e voltar depois do público se esgoelar por um bis é um jogo antigo e eles não queriam fazê-lo. Mas queriam que o público merecesse uma música a mais. Desejo atendido, o Primal Fear encerrou uma passagem há muito adiada por Belo Horizonte voltando ao passado e tocando “Running in the dust”, presente em seu primeiro álbum e fechando uma apresentação quase irreprensível e nos deixando na torcida para que não demorem duas décadas para retornar.

Antes de terminar esse texto, preciso destacar mais duas coisas: primeiro, o sistema de som do Mister Rock estava sensacional, talvez um dos melhores que ouvi por lá. Segundo, mas não menos importante, nossos agradecimentos à produtora Honorsounds e os parceiros Márcio Siqueira e Lucélio Henrique, que nos proporcionaram mais essa cobertura..

Confira fotos do show pelas lentes de Alexandre Guzanshe

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