O Holocausto foi uma das precursoras da música dita pesada brasileira surgida em Belo Horizonte nos anos 1980. Seu primeiro registro se deu na clássica coletânea “Warfare Noise” lançada pela Cogumelo Records em 1986 e mostrava uma banda adepta ao thrash metal oitentista, ainda que seu som também flertasse com um proto-black metal que acabaria sendo a base para o que bandas norueguesas como Mayhem e Emperor, dentre outras, produziriam nos anos seguintes.
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Em 1987 o Holocausto estreia pra valer com “Campo de Extermínio”, levando seu thrash a outro nível e, criando, para muitos, o primeiro álbum de war metal da história. A ele se seguiram “Blocked Minds” (1988) e “Negatives” (1991). Esses três álbuns foram relançados em 2019 pela Cogumelo em um formato caprichado e falei sobre isso aqui.
Já em 1993 e com uma formação que contava com Rossano Polla (vocal), Rodrigo Otávio (guitarra), João Marcelo (baixo) e Rodrigo Magalhães (bateria), o grupo resolveu enveredar por novas paragens e, dessa viagem nasceu “Tozago as Deismno”. Um álbum completamente diferente de tudo o que a banda havia mostrado até então e que é difícil definir ou mesmo digerir.

O que o Holocausto faz em “Tozago as Deismno” é qualquer coisa, menos o metal do qual eram adeptos até então. O que temos aqui é uma coleção de passagens ambientais compostas por barulhos, vozes sobrepostas e uma coleção de jam sessions bastante improvisada, divida em um total de 18 faixas que, muitas vezes, se misturam umas às outras. Também fica claro que em seu quarto álbum o Holocausto quis flertar com o industrial metal que existia em outras partes do planeta naquele momento, pois há diversas faixas onde, aparentemente, ferramentas de construção civil são utilizadas na tentativa de criação de músicas. O que acaba surgindo disso é uma barulheira que agrada a um número restrito de ouvidos. Músicas como “Tinocunaci” são um desafio para aqueles acostumados com uma sonoridade mais direta, por falta de termo melhor.
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Não há muito mais o que ser dito a respeito de “Tozago as Deismno” em termos musicais. Ele é uma salada musical ousada e completamente experimental, que desafia aos ouvidos mais incautos e cuja única música mais “convencional” é justamente a que encerra os trabalhos, uma versão demo de “Donkey’s Doctrine”, gravada um ano antes e que vem como bônus no álbum.
A Cogumelo Records, que lançou o álbum originalmente em 1993, relançou esse experimento dos mineiros novamente em 2026 no formato caprichado que reserva aos resgates de seu catálogo. O álbum vem em uma embalagem slipcase e acompanha um pôster dupla-face 36×36 e um encarte com as (poucas) letras das músicas presentes em “Tozago as Deismno”. No final das contas, esse é um álbum corajoso e um esforço legítimo que deve agradar os mais adeptos à música experimental/industrial/independente.
Agradecimentos: João Eduardo (Cogumelo)
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