Kamelot lança um bom álbum, ainda que previsível

Mais uma colaboração do Rodrigo ‘Piolho’ Monteiro para o Rock Master!

Um dos grandes nomes do metal mundial da atualidade, o Kamelot lançou recentemente “The Shadow Theory”, seu 12º álbum de estúdio que traz uma modificação importante em sua formação, já que o baterista Casey Grillo, responsável pelas baquetas da banda desde 1997, deixou a posição. Para seu lugar, foi escalado Johan Nunez (ex-Firewind). Fora isso, “The Shadow Theory” apresenta a mesma sonoridade aos quais os fãs do Kamelot já estão acostumados. Isso, claro, tem suas vantagens e desvantagens.

Em seus últimos álbuns, especialmente em “Haven”, o Kamelot adotou uma temática pós-apocalíptica em suas letras e, em “The Shadow Theory”, isso continua, aqui tendo teorias do psiquiatra Carl Jung como base para algumas das músicas. O álbum, no entanto, não é conceitual no sentido de que cada música conta uma parte da mesma história. Ele apenas tem um tema que permeia todas elas como um todo, que podem ser ouvidas independentemente sem que nada seja perdido. Como o Kamelot não é muito conhecido por letras marcantes, isso é apenas uma curiosidade.

Indo ao que realmente interessa, “The Shadow Theory” é mais um esforço sólido na carreira do Kamelot em sempre entregar álbuns com qualidade lá em cima. O álbum traz todos aqueles elementos característicos da banda e do estilo na qual ela se encaixa (power/progressive metal). Estão lá os belos riffs de guitarra, as orquestrações, os refrãos grandiosos, a indefectível balada, tudo funcionando de maneira harmoniosa. A crítica de alguns é que isso tudo está sempre presente nos álbuns do Kamelot, logo, à exceção do baterista, “The Shadow Theory” é desprovido de novidades. Isso, no entanto, não se configura um problema quando um grupo está sempre produzindo álbuns de alta qualidade.

“The Shadow Theory” tem alguns destaques, como “Ravenlight”, “Amnesiac”, “Burns to Embrace”, “Mindfall Remedy” e “The Proud and the Broken” dentro de suas treze faixas. O álbum, como um todo, tem uma boa produção a cargo de Sasha Paeth e traz participações de Lauren Hart (Once Human) e Jennifer Haben (Beyond the Black), fazendo dupla com o vocalista Tommy Karevik em, respectivamente, “Phantom Divine” e “Mindfall Remedy” e “In Twilight Hours”. Esse é mais um expediente que é frequentemente (bem) utilizado pela banda que, em álbuns anteriores, contou com participações de Simone Simons (Epica), Alissa White-Gluzz (Arch Enemy), Elyze Rid (Amaranthe) e Charlotte Wessels (Delain), dentre outras.

“The Shadow Theory” é o terceiro álbum do Kamelot com Tommy Karevik nos vocais e podemos ver que ele está cada dia mais à vontade na função. No entanto, seria salutar se ele tentasse seguir menos a mesma linha vocal de seu antecessor, o excelente Roy Khan, e trazer mais de seu estilo próprio à banda, a exemplo do que faz no Ayreon. Já na parte instrumental, o guitarrista Thomas Youngblood e o tecladista Oliver Palotai mostram sua competência de sempre, com linhas instrumentais bem construídas sem abusar de muito virtuosismo ou malabarismo, enquanto que o baixista Sean Tibbets faz sua função de maneira competente.

No fim das contas, podemos concluir que, em “The Shadow Element” o Kamelot navega por águas conhecidas, sem apresentar inovações nem evoluções significativas em sua sonoridade. Isso, no entanto, não se constitui em um demérito. Afinal, em time que está ganhando não se muda, correto?

Antes de encerrarmos, o Rock Master tem o prazer de anunciar que fechou uma parceria com a Hellion Records, gravadora paulistana com 28 anos de história e uma das maiores distribuidoras de bandas de rock e metal do país. Esta resenha é o primeiro produto desta parceria, que gerará grandes frutos daqui em diante.

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