“Marius Danielsen’s Legend of Valley Doom Part 1” é uma boa power metal opera

Olha aí mais uma colaboração do Rodrigo Monteiro para o Rock Master!

Em 2001, Tobias Sammet, vocalista do Edguy, lançou no mercado o primeiro álbum de seu projeto paralelo, o Avantasia. Intitulado simplesmente “The Metal Opera”, o trabalho era basicamente o que seu título revelava: um álbum de heavy metal com uma estrutura operística. Isso significa que o trabalho de Tobias trouxe diversos cantores diferentes interpretando cada um dos personagens presentes na história. Para essa empreitada ele contou com as vozes de gente como Michael Kiske (ex-Helloween, atual Unisonic, Place Vendome), Kai Hansen (ex-Helloween, atual Gamma Ray, Unisonic), André Matos (ex-Angra, atual Shaman), Sharon Den Adel (Within Temptation), dentre outros.

O sucesso da empreitada chamou a atenção da indústria do heavy metal como um todo e logo projetos similares inundaram o mercado nos anos seguintes, variando tanto em qualidade quanto em sucesso. “Legend of Valley Doom Part 1”, projeto do vocalista/guitarrista norueguês Marius Danielsen (Darkest Sins) é um desses projetos que tenta se aproveitar da onda iniciada pelo Avantasia e é um belo esforço de todos os envolvidos. Mesmo que demore para que suas músicas sejam plenamente absorvidas e traga alguns problemas.

De cara, já pode-se dizer que “Legend of Valley Doom Part 1” é voltado especificamente para os fãs de power metal. Sua história é bem típica do gênero, envolvendo Alta Fantasia, a luta do bem contra o mal, seres fantásticos, armas mágicas, enfim, algo que poderia ser muito bem encontrado em álbuns do Rhapsody of Fire ou do Dragonland. Não dedicar pelo menos uma página do encarte para dar uma geral sobre a história é uma das falhas do projeto. Afinal, por mais legal que seja o álbum, nem todo mundo tem a devida paciência para ler as letras de todas as músicas para entender do que diabos se trata seu conceito. E, sendo boa parte dos fãs de power metal leitores ávidos por esse tipo de história, isso seria um atrativo a mais para se adquirir o álbum físico em uma época onde se ouve mais música digital do que qualquer coisa.

Divagações a parte, a exemplo de Tobias, Marius reuniu um grande time para ajudá-lo em seu projeto. E, quando digo “grande”, me refiro tanto à qualidade quanto à quantidade de envolvidos. São 13 vocalistas, 14 guitarristas (contando Marius em ambas as funções), 6 baixistas, 2 tecladistas e 2 bateristas. Dessa gente toda vale a pena destacar os vocalistas Edu Falaschi (ex-Angra, Almah), Tim Ripper Owens (ex-Judas Priest, ex-Iced Earth, ex-Yngwie Malmsteen) e Mark Boals (ex-Yngwie Malmsteen, Iron Mask, Royal Hunt), os guitarristas Timo Tolkki (ex-Stratovarius, Avalon), Chris Caffery (Savatage, Trans-Siberian Orchestra) e Ross the Boss (ex-Manowar, DeathDealer) e os baixistas Barend Courbois (Blind Guardian) e Mike LePond (Symphony X). As baquetas foram divididas entre Alex Holzwarth (ex-Rhapsody of Fire) e Ludvig Pedersen (Darkest Sins), enquanto que coube a Peter Danielsen (Eunomia, Darkest Sins) e Alessio Lucatti (Vision Divine, Etherna) cuidarem dos teclados.

Com tanta gente boa envolvida, pode-se pensar que esse é um álbum épico, algo gigantesco e de qualidade e variedade absurdas, mas a coisa não é bem assim. Não me entendam mal, “Legend of Valley Doom Part 1” é muito bem produzido e tem grandes canções, como “The Battle of Bargor-Zun”, “Prophecy of the Warrior”, “Mirror of Truth”, Raise your Shields” e a épica faixa título, com seus mais de 14 minutos de duração. Ou seja, atende bem aos quesitos de ser “épico” e “gigantesco”.

O problema principal é que, com tanta gente querendo se destacar, acaba que praticamente ninguém o faz. Tem músicas que trazem tantos personagens diferentes que às vezes fica difícil diferenciar um do outro, até porque muitos desses cantores tem timbres de voz bastante semelhantes, com exceção, talvez, do Ripper Owens, cujo trabalho vocal é bastante característico. O mesmo vale para a bateria de Alex Holzwarth , que qualquer fã do Rhapsody of Fire reconhece de cara. No mais, no entanto, como dito acima, saber quem canta o quê sem a ajuda do encarte fica relativamente difícil. Nesse ponto, vale um elogio, já que no encarte é especificado quem faz o quê em cada música, incluindo os solos de guitarra.

Falando das músicas em si, que é o que interessa, “Legend of Valley Doom Part 1” vai cair no gosto de qualquer fã de power metal que adore todos os clichês do gênero. Lá estão os refrões grudentos e grandiosos, a bateria de pedal duplo, os teclados criando boas atmosferas, belos riffs de guitarra e solos ora rápidos, ora cadenciados, mas sempre bem encaixados e, claro, a indefectível introdução e a balada , que aqui respondem, respectivamente, por “Intro” e “Fallen Heroes”. Esta última faz uma transição tão suave para “Outro”, que fecha o álbum, que mais parecem uma única música.

Como escrito no quarto parágrafo lá em cima, “Legend of Valley Doom Part 1” é um produto feito exclusivamente para os fãs de power metal, e deve agradar apenas a essa galera. O que não é um demérito, apenas restringe o trabalho de Marius (que deve ter mais duas partes e ser complementado com uma revista em quadrinhos ou livro) a uma faixa de público muito pequena dentro do cenário do heavy metal.

“Legend of Valley Doom Part 1” foi lançado por aqui pela Hellion Records, que já garantiu que trará para o mercado nacional seus sucessores. Ficaremos no aguardo.

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