Maestrick lança um dos melhores álbuns do ano

Olha aí mais uma colaboração do Rodrigo Monteiro para o Rock Master!

Meu primeiro contato com o Maestrick, banda paulista formada por Fábio Caldeira (vocal e piano), Renato “Montanha” Somera (baixo e vocal) e Heitor Matos (bateria e percussão), foi através do EP “The Trick Side of Some Songs“. Lançado em 2016, nele a banda trazia versões para músicas de grupos como The Beatles, Yes e Jethro Tull, dentre outros. Minha primeira impressão então foi de que estava diante de um trio que sabia tocar seus instrumentos . Mesmo com uma alteração nas músicas originais aqui e ali, a grande dúvida era: será que esses caras são tão bons compositores quanto são instrumentistas?

“Espresso Della Vita – Solare”, novo álbum de originais da banda, o primeiro desde sua estréia, “Unpluzzed!”, de 2011, responde minha pergunta de maneira bastante objetiva. Os caras do Maestrick não só sabem compor, como fazem um excelente trabalho nessa área. Tanto que “Espresso Della Vita – Solare” tem tudo para entrar em todos os rankings de melhores álbuns nacionais lançados em 2018 por aqui.

O Maestrick é uma banda de rock progressivo cujas principais influências, pelo que percebemos ao longo do álbum, são mais bandas como Yes, Genesis e Jethro Tull e menos Pink Floyd, só para que o leitor tenha uma ideia do que encontrará aqui. Sendo uma banda de prog rock, o trio não se impede de adicionar elementos não tão ortodoxos, como toques de samba rock e instrumentos tais quais ukelelê, banjo, triângulo, cuica e demais em sua música, tornando-a mais rica.

“Espresso Della Vita – Solare” é um álbum conceitual. A ideia é observar aspectos da vida humana como se fossem uma viagem de trem. O álbum começa com a boa intro “Origami”, que se mescla bem naturalmente em “I A.M. Living”, um prog rock empolgante, que lembra bastante alguns dos melhores momentos do que o Dream Theater costuma fazer quando seus membros estão inspirados. Ela traz um refrão empolgante e belos solos de guitarra (cortesia do produtor Adair Daufembach, responsável pelas seis cordas em todo o álbum) e teclado; “Rooster Race” vem a seguir e mostra que este é um álbum bem variado, já que ela tem uma pegada um tanto quanto power metal, ainda que, claro, seu andamento seja quase todo progressivo. A música, que traz um bom refrão, tem o uso da viola caipira e de um berrante em sua introdução, reforçando o que foi escrito acima sobre o ecletismo instrumental que o Maestrick trouxe neste álbum.

“Daily View”, a faixa a seguir, se parece muito com algo que poderia ser encontrado em um álbum dos The Beatles, especialmente em seu início. Ela, inclusive, é a música mais curta do trabalho, descontando “Origami”. “Water Birds” e “Keep Trying” são as faixas que vem a seguir e mantém a qualidade do trabalho da banda. Dizer que todos os instrumentistas fazem um bom trabalho seria algo repetitivo, logo, não o farei. Fábio, Renato, Heitor e Adair conseguem ser técnicos na medida certa e trazem toda a emoção e energia que cada uma das músicas do álbum pede.

O grande destaque de “Espresso Della Vita – Solare”, vem a seguir. “The Seed” é a faixa épica do álbum. Com quase 16 minutos de duração (são 15:34 minutos, para ser exato), a música tem de tudo: belos solos, corais, mudanças de andamento, trechos mais lentos, mais pesados, enfim, tudo o que o fã do progressivo espera em uma música com esse tipo de duração. Há até um trecho aqui que lembra muito algo do Symphony X, o que só agrega valor à faixa.

Um baixo e bateria marcantes marcam “Far West”, faixa seguinte, que traz uma sonoridade que, como o nome pode dar a entender, remete bastante a um clima de filmes de faroeste e alguns trechos dela não ficariam deslocados caso tocados em um saloon típico dessas produções. No geral, uma música com um andamento veloz e bem legal.

“Across the River” dá uma pisada no freio e se constitui na balada do álbum. Aqui o destaque vão para os vocais de Fábio e para o instrumental, que faz com que a música, mesmo sendo uma balada, não descambe para algo muito meloso ou pouco inspirado.

Os ritmos brasileiros voltam nos primeiros segundos de “Penitência”, a única música cantada em português no álbum. Com uma boa variação de ritmos, a música é um rock mais direto, de bastante responsa e com uma boa letra. Um fato interessante aqui é a participação de Dona Rose, avó do vocalista Fábio, que contribui em um dos trechos da música.

“Hijos de la Tierra” que, apesar do nome, é cantada em inglês (mas traz trechos em espanhol), tem uma atmosfera mais calma, cadenciada, que casa bem com a letra. Já “Trainsition”, que faz uma brincadeira com a grafia das palavras “train” e “transition”, fecha em grande estilo a primeira parte da viagem de trem do trio paulista. Que agora se constitui em um quarteto, já que o tecladista Neemias Teixeira foi adicionado à formação. Ele. no entanto, não participou das gravações do álbum.

Com quase 80 minutos de duração, “Espresso Della Vita – Solare” é um belo e ambicioso esforço do Maestrick e vale a pena ser conferido por qualquer um que seja fã do rock/metal progressivo, com ênfase no primeiro. E a viagem dos caras não acaba por aqui. Enquanto “Espresso Della Vita – Solare”, cobre as 12 primeiras horas da viagem de trem que dá base ao conceito do álbum, o resto dela será explorado em “Espresso Della Vita – Lunaire”, a ser lançado nos próximos meses.
Lançado pela Die Hard Records, “Espresso Della Vita – Solare” está disponível para audição nas plataformas abaixo. Minha sugestão, no entanto, é que ele seja adquirido fisicamente, dado o esmero com o qual a banda se empenhou em todo o álbum, incluindo aí em sua parte gráfica.

Spotify: https://spoti.fi/2KQ9hXw
Deezer: https://bit.ly/2lV1v3R
iTunes: https://apple.co/2IYTZOv
Google Play: http://bit.ly/2tTCyub
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Agradecimentos: Som do Darma

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