Estreia de Seven Spires não traz novidades ao cenário

Olha aí mais uma colaboração do Rodrigo ‘Piolho’ Monteiro para o Rock Master!

O Seven Spires é uma banda de Boston, Estados Unidos, que resolveu entrar no competitivo – e saturado – cenário do metal sinfônico. Formada por alunos da famosa escola de música Berkelee, a banda é composta por Adrienne Cowan (vocais), Jack Kosto (guitarras) e Peter Albert de Reyna (baixo), além de contar com a presença do baterista Chris Dovas nas apresentações ao vivo. “Solveig”, seu primeiro álbum, foi lançado nos EUA em 2017 e, pouco depois, chegou ao Brasil através da Hellion Records.

Como se poderia esperar dado o currículo de seus membros, “Solveig” apresenta um belo aprumo musical, com todos os músicos mostrando bastante técnica e domínio de seus instrumentos. Adrienne também mostra bastante versatilidade em seus vocais, indo de uma voz mais limpa ao gutural e a tons mais altos com bastante desenvoltura. Tudo isso foi amarrado de maneira bastante harmoniosa, cortesia da produção sempre competente do experiente Sascha Paeth (Avantasia, Kamelot, Edguy, Rhapsody, etc).

Para seu primeiro álbum, o Seven Spires resolveu reaproveitar material antigo, o que traz alguns problemas para a consistência do álbum, que parece quase um vinil com dois lados com algumas distinções entre si. Enquanto que as sete primeiras músicas foram reaproveitadas do EP “The Cabaret of Dreams”, as demais foram compostas originalmente para o lançamento. O hiato entre esses dois momentos – já que o EP foi lançado em 2014 – mostra que a banda trouxe mais influências nesse período e isso se reflete nas demais oito faixas que compõem o álbum. Esses problemas, no entanto, não chegam a incomodar, apenas mostram que a banda ainda está encontrando seu caminho.

“Solveig” é um álbum conceitual que segue a jornada de uma alma através de um submundo Vitoriano, controlado por um demônio ancião. Quem lá chega pode trocar sua liberdade por felicidade eterna. O preço, no entanto, é perder qualquer senso de alegria, o que faz com que essa felicidade eterna não seja tão feliz.

Para contar essa história, o Seven Spires investe bastante na criação de atmosferas e andamentos com um quê de ópera, de teatralidade, o que, em algumas músicas lembra, bem de longe, algo que poderia ter sido criado por Alice Cooper. Isso pode ser observado em músicas como “The Cabaret of Dreams”, “The Paradoxx” ou na emotiva “100 Days”. Músicas como “Encounter”, “Closure” e a longa “Burn” também podem ser consideradas destaques do álbum.

No fim das contas, a estreia do Seven Spires é recheada de bons elementos mas, que, combinados, não trazem novidades ao cenário. Vai agradar bastante a fãs de bandas como Kamelot e Dimmu Borgir, já que diversas músicas trazem as orquestrações e o peso que os noruegueses mostram em suas composições. Fãs de Nightwish e Epica também devem gostar do que a banda tem a oferecer, desde que tenham em mente que não encontrarão nada que não tenham ouvido antes por aqui.

Agradecimentos: Hellion Records

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