1755 é ponto alto na carreira do Moonspell

Olha aí mais uma colaboração do Rodrigo ‘Piolho’ Monteiro para o Rock Master!

Há mais de 25 anos na estrada, o Moonspell se tornou a banda de heavy metal mais famosa de Portugal. Para comemorar duas décadas e meia de estrada, o quinteto formado por Fernando Ribeiro (vocais), Ricardo Amorim (guitarra), Aires Pereira (baixo), Pedro Paixão (teclados) e Miguel Gaspar (bateria) resolveu prestar uma homenagem à sua terra natal. “1755”, seu mais novo álbum conceitual conta a história do terremoto que atingiu Lisboa naquele ano. Considerado até hoje o maior a atingir o antigo continente, ele provocou um grande Tsunami, que deixou a capital portuguesa em ruínas. O que não foi destruído pela água foi consumido pelo fogo, já que a cidade queimou por cinco dias até que esses incêndios fossem controlados. O evento trouxe mudanças profundas na vida portuguesa e no pensamento europeu como um todo, já que abriu novos questionamentos sobre a relação do homem com Deus.

Para contar todo o tormento sofrido por seus patrícios então, o Moonspell decidiu fazer algo arriscado: gravar todo o álbum em português e não no inglês que domina sua discografia. O resultado ficou acima do esperado mesmo para fãs mais antigos da banda, tornando “1755” um dos melhores – se não o melhor – álbum da discografia dos portugueses.

“1755” começa com “Em Nome do Medo”, uma faixa bastante sombria e sinistra, com um andamento cadenciado e o vocal furioso de Fernando dando o tom e passando organicamente para a faixa título, que traz um tom mais pesado e que faz todo sentido dentro da proposta do álbum. “In Tremor Dei” mostra mais um pouco da versatilidade do Moonspell, aqui investindo em coros e orquestrações – algo que permeia todo o álbum – e ainda conta com a participação do Paulo Bragança, um cantor de fado cuja voz apenas enriquece a música.

O álbum continua com “Desastre”, onde o destaque fica para o refrão, bastante “grudento” e cantado de maneira furiosa por Fernando, passa por “Abranão”, pesada, furiosa. Segue com “Evento”, outra que investe bastante no peso e na velocidade, além do bom refrão. Ela dá lugar a “1 de Novembro”, que mantém a mesma toada, enquanto que “Ruínas”, que vem a seguir, é um dos destaques individuais do álbum.

A parte final de “1755” vem com a climática “Todos os Santos”, que abusa dos elementos sinfônicos, traz um belo riff de guitarra e meio que faz uma ponte com “Ruínas”, também sendo um dos destaques do álbum. A versão regular de “1755” é fechada com uma versão bastante sombria para “Lanterna dos Afogados”, música originalmente gravada pelos Paralamas do Sucesso. A versão nacional, lançada por aqui pela Hellion Records, traz uma repetição de “Desastre”, mas, dessa vez, em espanhol.

“1755” é um álbum redondinho. O Moonspell consegue criar todo um clima ora sombrio, ora depressivo, ora furioso, para retratar musicalmente o maior desastre natural da história de seu país. Apesar de tender a dar destaque para o excelente trabalho vocal de Fernando Ribeiro, a verdade é que a banda como um todo soa muito bem e conseguiram produzir não só um dos melhores álbuns de sua carreira, como um dos destaques do ano de 2017. Indispensável.

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