“Deep Caleth Upon Deep” consolida nova direção musical do Satyricon

Olha aí mais uma colaboração do Rodrigo ‘Piolho’ Monteiro para o Rock Master!

O Satyricon é uma banda (na verdade, atualmente é uma dupla) que surgiu em Oslo, Noruega, no comecinho da década de 1990. Era a primeira onda do famoso movimento do black metal escandinavo que revelou ao mundo bandas como Emperor, Darkthrone, Mayhem, Immortal, Burzum e diversos outros. O Satyricon deu sua parcela de contribuição ao movimento com seu primeiro álbum, “Dark Medieval Times”. Na época a banda contava em sua formação com Satyr (vocais, guitarra, baixo), Frost (bateria) e Lemarchand (guitarra).

De 1994, data de lançamento de “Dark Medieval Times” até o momento, o Satyricon passou por mudanças significativas, mas elas se restringem à sua sonoridade. Afinal, desde seu primeiro álbum até este “Deep Caleth Upon Deep”, objeto desta resenha, a formação da banda continua a mesma, tendo apenas Satyr e Frost como membros fixos. Já a sonoridade da banda mudou significativamente: o Satyricon abandonou quase que totalmente o black metal característico de seus primeiros álbuns para migrar para um som mais acessível, ainda que não no sentido comercial do termo.

De cara, “Deep Caleth Upon Deep” remete à “Dark Medieval Times”. A arte da capa é bastante simples e quase tosca, a exemplo daquela apresentada no primeiro álbum da banda. Digo “quase” porque, apesar de parecer desenhada por alguém que está ainda engatinhando nesta área, na verdade ela é uma reprodução de “Death’s Kiss”, obra criada em 1899 por Edvard Munch, artista norueguês mundialmente famoso por seu quadro “O Grito”.

As semelhanças entre o primeiro álbum e o atual, no entanto, param aí. Em “Deep Caleth Upon Deep” o Satyricon se afasta ainda mais do black metal do início de sua carreira. O vocal gutural de Satyr continua lá, mas soa mais inteligível do que outrora. A temática das letras, questionando a santidade do Deus cristão e ligada a temas medievais, também continuam presentes. De resto, a banda investe em um “rock pesado”, para usar um termo mais popular. Hoje o som do Satyricon é mais uma junção de heavy metal tradicional, doom metal, rock clássico, gothic rock e pós-rock, com algumas pitadas de black metal aqui e ali. Devido a isso, alguns críticos tem rotulado o som da banda como “black ‘n roll”.

Se os ingredientes acima parecem discrepantes (tipo misturar ovo com chocolate), Satyr e Frost conseguem fazer com que soem harmônicos e entregam um bom trabalho que, se não tem nenhuma faixa excepcional, também não tem nenhuma daquelas que podem ser consideradas “sobra de estúdio”, ou seja, que entraram no álbum apenas pra que ele não ficasse muito curto.

A verdade é que “Deep Caleth Upon Deep” é um álbum redondinho, que funciona muito bem, desde “Midnight Serpent”, faixa que abre o trabalho, até “Burial Rite”, que encerra o décimo trabalho em estúdio da dupla. Faixas como “To Your Brethren in the Dark”, “The Ghost of Rome” e “Dissonant”, onde um saxofonista se une à Satyr, Frost e Anders Odden, responsável pelo baixo e guitarra base nas gravações do álbum, além da própria faixa título, são alguns dos destaques e dão uma boa mostra de como o Satyricon continua produzindo material relevante para o cenário. Mesmo que alguns fãs mais mais radicais gostem de dizer que o grupo acabou em 1996. Mais ou menos o que alguns fãs do Metallica costumam dizer do trabalho da banda pós “… And Justice for All”.

Com oito faixas em cerca de 43 minutos de duração, “Deep Caleth Upon Deep” é mais um passo certeiro do Satyricon em sua nova jornada, inaugurada no álbum auto-intitulado lançado em 2013. Lançado em 2017, “Deep Caleth Upon Deep” chegou ao Brasil neste ano via Hellion Records.

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