Fotos: Rodrigo Monteiro
É impressionante como uma ideia que poderia ter dado muito errada acabou se tornando um exemplo de que, muitas vezes, a genialidade e a maluquice andam de mãos dadas.
Quando o Massacration surgiu no começo do século como parte do programa “Hermes & Renato”, da falecida MTV, tinha tudo pra dar errado. Afinal, os caras pegaram tudo o que os fãs do heavy metal mais prezavam e, parodiando descaradamente o Manowar – uma das bandas mais cultuadas da cena – criaram a “maior banda de heavy metal do mundo de todos os tempos”, liderada por Detonator (Bruno Sutter), um vocalista, no mínimo, meio sem noção.
O primeiro álbum, “Gates of metal fried chicken of death”, mostrou que, por trás de toda a zoeira, havia uma banda competente que não só sabia tocar, como também conseguia trazer humor para suas letras, utilizando-se de todas as características que tornam o heavy metal atraente. Daí começaram as primeiras turnês, o segundo álbum (“Good blood headbanguers”, 2009), mais turnês, hiato, tragédias (o suicídio de Fausto Fanti) reunião, um terceiro álbum (“Metal is my life, 2024) e, finalmente, uma turnê especial comemorando as duas décadas de lançamento do disco que começou tudo. E esse foi o motivo da passagem da banda por Belo Horizonte em uma sexta-feira onde o Mister Rock recebeu um excelente público, praticamente lotando suas dependências. Isso, aliás, é uma prova da força do Massacration. Todos os shows da banda pela capital mineira quando não esgotam os ingressos, chegam perto disso. E a banda responde à expectativa do público adequadamente. Mais sobre isso daqui a pouco.
A noite de heavy metal começou com abertura da banda Soul’s Guardian. Originária de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte , o quinteto composto por Eduardo (vocal), Marcel Couto e Carlos Jr. (guitarras), Wiliam Azevedo (baixo) e Douglas Lucas (bateria) é adepta de um power metal que casa bem com o estilo do Massacration, ainda que seja uma banda cujas letras não apostam, nem de longe, na zoeira. A banda ainda não tem um álbum completo, mas já produziu diversos singles e um EP, que podem ser encontrados em diversos serviços de streaming. Dentre os destaques da apresentação da banda, devem ser citadas “Shadows of Fate”, “Daily Drunk” e a excelente “Soldier’s Truth”. Em pouco menos de uma hora de apresentação, o Soul’s Guardian deu seu recado. Esperemos que consiga alçar bons voos em sua carreira, já que competência e qualidade para isso a banda tem.

Com o público bem aquecido e, mesmo com um longo atraso, o Massacration começou os trabalhos da noite como sempre o faz, ou seja, com zoeira. Dessa vez, o sketch trouxe o ator Felipe Torres (que incorporaria diversos personagens na noite) parodiando um certo juiz careca de uma certa corte suprema brasileira com o intuito de julgar cantores de funk e pop descartável por crimes contra a cultura nacional. Ao fim dessa introdução, e com a casa já lotada, Detonator, Metal Avenger (Marco Antônio Alves, guitarra), El Muro (baixo) e Straupelator (bateria) entraram no palco para a faixa de abertura do álbum homenageado da noite. “Metal is the Law” teve refrão cantado em uníssono pela galera presente, mostrando, novamente, a força do Massacration perante seu público.
Se você já foi a um show do Massacration, sabe que os caras valorizam o conceito da palavra “show”. A música é a parte principal e é feita com bastante competência. O diferencial da banda são os pequenos sketches humorísticos entre uma música e outra e mesmo dentro delas. E a banda se esforça para criar novos quadros entre uma turnê e outra, sendo a única constante o atraso do guitarrista Headmaster (Adriano Pereira) para adentrar ao palco. Já Felipe e Franco Fanti se alternam no palco fazendo personagens hilários como o gerente da Churrascaria & Cartório Boi Cuzudo (patrocinadores da turnê) e incorporando Max e Hugo Caganeira (zoeiras com os irmãos Cavalera), Michael Jackson, Roberto Carlos, Axl Rose e até uma galinha, personagem principal da faixa “Flight of the Chicken”, presente no último álbum.

Com um show de quase duas horas, alternando entre músicas do primeiro álbum, que foi executado na íntegra, e outras como “The Mummy”, “The Bull”, “Metal is my life”, o Massacration garantiu, mais uma vez, a diversão de todos os que compareceram em mais um de seus shows e mostra que sua fórmula de metal com zoeira tem tudo para continuar gerando frutos por um bom tempo.
O Rock Master agradece à Top Link e a Lucélio Henrique (Mister Rock) pela parceria que proporcionou mais essa cobertura.

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