Apocalyptica traz turnê comemorativa ao Brasil

Mais uma colaboração do Rodrigo ‘Piolho’ Monteiro para o Rock Master.

O Apocalyptica é um quinteto finlandês que iniciou sua carreira em 1996 de uma maneira inusitada: fazendo versões de músicas do Metallica adaptadas para o violoncelo. Isso antes de aparecerem por aí gente como The Piano Guys ou os caras do 2 Cellos fazendo, basicamente, a mesma coisa.

Lançado naquele ano “Plays Metallica by Four Cellos” chamou a atenção justamente pelo fato de ser algo incomum e lançou a carreira da banda. Na época um quarteto, hoje o Apocalyptica conta com quatro violoncelos, um baterista e um vocalista.

Em 2016, seguindo a onda de fazer turnês comemorativas, a banda resolveu lançar a turnê comemorativa “20 Years of Plays Metallica by Four Cellos”, uma de suas maiores até o momento e que desembarca no Brasil em 21 de novembro para apresentações em Porto Alegre, Belo Horizonte (23/11), Curitiba (24/11) e São Paulo (26/11).

O Rock Master conversou, via Skype, com o simpático violoncelista Perttu Kivilaakso sobre a turnê, a sonoridade do Apocalyptica, planos para o futuro e muito mais. Veja abaixo:

Rock Master: Olá, Perttu. Como você está?
Perttu:
Eu estou excelente. E você?

Rock Master: Tudo bem. Como anda a turnê até o momento?
Perttu:
Na verdade, hoje [N. do. R. essa entrevista foi feita no dia 26 de agosto] vamos fazer o último show em um festival desse ano, no norte da Finlândia, então, tem sido sensacional. Esse tem sido um ano fantástico, sabe? Temos essa turnê de aniversário do álbum do Metallica acontecendo e é muito bom voltar à nossas raízes, aonde começamos há vinte anos e tocar esse material para públicos maravilhosos em vários lugares.

Rock Master: Por que vocês decidiram fazer essa turnê? Parece que muita gente tem feito esse tipo de turnê comemorativa atualmente. Porque o Apocalyptica também entrou nessa onda?
Perttu:
Quando terminamos “Shadowmaker”, nosso último álbum, pensamos “o que fazer a seguir” e o que é engraçado aqui é que planejamos fazer uns vinte shows para celebrar nossa longa carreira, os vinte anos da banda e do primeiro álbum. Mas, quando anunciamos os primeiros shows parecia que todo mundo queria participar dessa turnê nostálgica. E é por isso que vamos rodar uns dois anos com esse show. Então aquela pequena turnê europeia de aniversário vai durar bem mais do que planejamos. Mas isso é bom, porque poderemos ir para outros lugares, como a América do Sul no final desse ano. Então, está tudo ótimo. Todos estão gostando, porque eu acho que, tipo, isso é como começamos, é meio engraçado como podemos retornar à época em que tínhamos 15 ou 17 anos e gostávamos de Metallica e adaptávamos suas músicas sem ter a mínima noção de onde aquilo nos levaria. Não esperávamos essa carreira, claro, então é fantástico ver que, depois de todos esses anos esse amor pelo metal de quando éramos adolescentes nos levaria tão longe. Acho também que o público também está gostando dessa nostalgia. Claro, é ótimo tocar essas grandes músicas do Metallica, sempre é divertido.

Rock Master: Podemos concluir então que essa turnê é maior do que as que vocês fazem regularmente? Ou não?
Perttu:
Não necessariamente. Por exemplo, estamos tocando em casas de shows e nem todas são grandes, mas acho que isso é o adequado para esse show, já que não temos um vocalista conosco, estamos tocando o primeiro álbum na íntegra da forma como foi gravado. Então, basicamente, o público tem gostado. Eu não sei como serão os locais de show na América do Sul, mas na maioria dos locais na Europa temos plateias sentadas, então as pessoas ficam mais concentradas no show. É uma coisa teatral. Então temos um intervalo e, depois disso, basicamente, a coisa muda um pouco e se torna mais como um show de rock regular, porque adicionamos a bateria e coisas assim. Eu acho que é uma combinação interessante.

Rock Master: Há um planejamento diferente quando vocês fazem uma turnê tão longa? Como são as coisas na estrada?
Perttu:
Depende muito de como podemos nos desafiar. Acho que isso é o elemento chave quando se faz algo por tantos anos. Como banda, precisamos sentir que estamos nos desafiando de alguma forma e nos testando com coisas novas. Acho que o violoncelo como instrumento é uma ótima oportunidade para isso. Ele ainda nos dá muitas possibilidades de encontrar coisas novas, novas formas de usá-lo e, por exemplo, pessoalmente penso que todo ano eu ainda estou aprendendo coisas novas. “Como posso tornar o violoncelo um instrumento ainda melhor para tocar rock” e coisas assim. Então acho que essa paixão pela arte é o elemento chave nos guiando por todos os nossos álbuns. E essa é realmente a chama aqui.

Rock Master: Vocês começaram como uma banda instrumental e, recentemente, adicionaram um vocalista à formação.
Perttu:
Sim.

Rock Master: Quais as mudanças que isso traz em termos de composição e em sua música?
Perttu:
Nos anos anteriores, não ter um vocalista nos dava ainda mais possibilidades de trabalhar com a música. Claro, acho que toda a nossa concentração básica sempre foi, a coisa principal sempre foi músicas instrumentais. As músicas com vocais abriram novos mundos para nós, claro. Mas, isso é realmente interessante, sabe? Eu acho que chegamos à uma situação em que no momento estamos excursionando como uma banda apenas de violoncelos com essa turnê do Metallica, claro. Nunca tivemos vocais nas músicas do Metallica e isso não é o que fazemos. E, na verdade, estou bem certo de que todos nós estamos, novamente, ainda mais interessados em criar música instrumental. Então, eu não ficaria surpreso se o próximo álbum do Apocalyptica não tivesse nenhum tipo de vocal. Não sabemos ainda, mas sempre queremos encontrar coisas novas e isso também é uma possibilidade.

Rock Master: Com relação aos ensaios, foi difícil reaprender essas músicas do Metallica ou vocês já estão acostumados a tocá-las regularmente?
Perttu:
É claro que conhecemos essas músicas. Eu, por exemplo, comecei a escutar Metallica quando tinha 12 ou 13 anos, então, é familiar. Mas, claro, quando você as adapta para o violoncelo, um instrumento totalmente diferente, há grandes dificuldades que aparecem. Por exemplo, alguns solos são muito difíceis de tocar no violoncelo. A razão disso pode ser porque, basicamente, temos apenas duas cordas que podemos usar para tais coisas em comparação à guitarra. Mas, claro, você sempre cria soluções para tudo e estou sempre feliz em aprender os solos do Kirk Hammet [N. do R. Um dos guitarristas do Metallica] porque é um desafio tentar chegar o mais próximo do original possível com o violoncelo, que é um instrumento razoavelmente restrito para dizer a verdade. E também não podemos fazer o mesmo tipo de som de uma guitarra de seis cordas, mas isso é só um desafio e sempre sinto que preciso me superar com eles.

Rock Master: Você me disse que estão tocando em um festival hoje.
Perttu:
Sim

Rock Master: E no Brasil vocês serão a única atração. Qual a diferença entre tocar em um festival e em seu próprio show?
Pertuu:
Eu acho que a maior diferença se dá com relação ao público. Em um festival nem todos os presentes foram para ver você. Isso é claro. Hoje, por exemplo, muita gente veio para escutar música folk finlandesa, então, eles provavelmente não conhecem muitas músicas do Metallica. O que é outro tipo de desafio, porque você tem que se provar para um público estranho. Você tem que mostrar quem é. Mas, claro, quando você vai, por exemplo, pro Brasil, é claro que o público é tão caloroso desde o princípio, que quando entramos no palco, isso nos dá algo extra. Você sabe, desde o começo, que todos estão ali pelo mesmo motivo, eles gostam do mesmo tipo de música. Nós estamos indo para aí para honrar o Metallica, e as pessoas vão ao show para honrar nossas versões das músicas deles, enfim, por causa de boa música. Então, nesse caso, é claro que prefiro tocar para nosso público. Mas os festivais são sempre um bom desafio para conquistar a todas aquelas pessoas que nunca ouviram falar de você (risos).

Rock Master: Falando em relação ao público, certa vez Bruce Dickinson, se não me engano, disse que quanto mais ao sul você vai, mais o público é receptivo, maluco. Como você compararia o público europeu com o da América do Sul, por exemplo?
Pertuu:
[A fala de Bruce] é correta, ainda que eu precise dizer que, por exemplo, em alguns locais mais ao norte como na Rússia, há lugares onde o público é bastante selvagem, no bom sentido. Mas, no geral, isso é mesmo verdade, quanto mais ao sul, mais receptivo o maluco é desde o começo. Se você comparar com o público da Alemanha ou da Finlândia, a galera pode até endoidar no final do show, mas você tem que conquistá-los ao longo da apresentação. Você tem, basicamente, 90 minutos para fazer isso. As pessoas reagem de maneira diferente ao redor do mundo, mas acho interessante que, ainda assim, todos estão lá pelo mesmo motivo. Eles amam música. Não sei se consigo categorizar as audiências no sentido de saber onde é melhor tocar, porque sempre que vamos tocar, a razão é a mesma: queremos fazer as pessoas felizes. Mas, claro é particularmente ótimo ter um público como o brasileiro, que é receptivo e barulhento desde antes de a banda começar o show. Aí você sabe que a noite será legal, com uma sensação legal de todos os lados.

Rock Master: Vocês vão tocar em cidades brasileiras nas quais nunca tocaram antes. Quais as suas expectativas para esses shows?
Pertuu:
Acho que é uma oportunidade maravilhosa de finalmente fazer mais shows. Nós sempre tocamos em São Paulo, mas agora acho que vamos tocar em quatro cidades aí e em cinco cidades na Argentina. O que é uma situação semelhante, pois nunca fomos nessas cidades e eu adoraria manter essa tendência. Por exemplo, o Brasil é um país gigantesco e tenho certeza de que se fomos apenas em São Paulo, não conhecemos nada daí. Então é maravilhoso ter a oportunidade de ver como são os públicos dessas outras cidades.

Rock Master: Uma última pergunta. Vocês já têm planos para seu próximo álbum, o sucessor de “Shadowmaker”?
Pertuu:
Acho que sim. Quer dizer, já começamos a conversar a respeito, apesar de que percebemos que a atual turnê ainda durará pelo menos um ano, então só poderemos começar mais ou menos a produzir o álbum no final do ano que vem. Mas no momento estamos curtindo muito tocar música no violoncelo e eu acho mesmo que isso será um fator determinante para nosso próximo lançamento. Nós queremos ouvir mais violoncelos e que essa coisa preciosa que temos em nossa banda seja ouvida. Pessoalmente, tenho que admitir que não concordei com algumas das decisões que tomamos no passado [musicalmente falando]. Acho que seria trágico se uma banda como Apocalyptica perdesse o som verdadeiro do violoncelo, porque acho que essa é definitivamente a coisa mais interessante e empolgante nessa banda. Então, nesse sentido, acho que estamos realmente concentrados em trazer esse som do violoncelo de volta.

Rock Master: Isso é o que os torna únicos, né? É a principal característica de sua banda.
Pertuu:
Exato! Essa é a única cosia que nos torna únicos.

Rock Master: Vocês são excelentes músicos, acho que isso também conta.
Pertuu:
(Risos)

Rock Master: Pertuu, foi um prazer falar contigo. Espero que vocês tenham uma boa passagem pelo Brasil.
Pertuu:
Obrigado. Espero ver todos vocês em nossos shows.

Apocalyptica em BH:
Pista: 3° lote
R$ 150 (meia-entrada)
R$ 175 (inteira promocional) – R$ 280 inteira

Pista Vip: 2° lote
R$ 180 (meia-entrada)
R$ 210 (inteira promocional) – R$ 340 (inteira)

Camarote Open Bar: 2° lote
R$ 230
** Open bar de cerveja Brahma, Vodka, energético, Refrigerante e água
** Censura: 16 anos **
Todos esses valores são referentes a ingressos antecipados

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