Max e Iggor revisitam anos de ouro do Sepultura em turnê pelo Brasil

Olha aí mais uma colaboração do Rodrigo ‘Piolho’ Monteiro (texto e fotos) com a companhia do estreante Giovanni Mazochi (fotos) para o Rock Master!

Apesar de estarem longe de Belo Horizonte há décadas, toda vez que Max (vocal/guitarra) e Iggor Cavalera (bateria) fazem alguma turnê pelo Brasil, seja com o Cavalera Conspiracy, seja com seus demais projetos, Belo Horizonte é parada obrigatória. Afinal, os caras são daqui e foi na cidade que fundaram a banda que lhes trouxe fama, o Sepultura.

O legado do Sepultura, na qual Max permaneceu de sua fundação até uma separação bastante tumultuada em 1996 e de onde, 10 anos depois, Iggor também saiu, é o mote para essa nova turnê. Intitulada simplesmente “Max e Iggor Cavalera – 89/91 Era”, a turnê da dupla prometia um setlist quase que exclusivamente voltado para os álbuns “Beneath the Remains” e “Arise”, lançados, respectivamente, em 1989 e 1991 e que foram os que ajudaram a apresentar o som do Sepultura para o mundo.

Realizado no Mister Rock, espaço que se torna cada vez mais conhecido dos headbangers mineiros, a apresentação foi, como pode-se notar, recheada de clássicos da ex-banda dos irmãos, além de alguns covers e mesmo surpresas para o público mineiro (ainda que uma delas não fosse assim tão surpreendente para quem já esteve em apresentações do Cavalera Conspiracy na capital mineira).

Uma coisa interessante no setlist dos Cavalera, que foi aberto com “Beneath the Remains”, é que as músicas soam um pouco diferentes de quando eram executadas pelo Sepultura ao vivo. Isso, claro, se dá não só pelo fato de a banda de Max e Iggor contar com o guitarrista Marc Rizzo e o baixista Mike Leon, ambos do Soulfly, mas também por um desejo do baterista, que adicionou ainda mais rapidez às músicas já rápidas da banda, algo que se percebe principalmente durante a execução de “Arise”.

Ao longo de quase duas horas, os irmãos Cavalera e seus comparsas de crime entregaram um show muito bom, com Max comandando a galera, puxando coros e organizando, de cima do palco, tanto o mosh quanto o wall of death, coisas típicas de eventos de metal. É bem legal notar que, tanto no mosh quanto no wall of death, a galera se tromba, se bate, mas, no final, não rola nenhuma briga nem saem feridos. E tem gente que ainda diz que show de metal é coisa de maluco revoltado….

Voltando à apresentação em si, o show de BH trouxe uma mudança em relação à de Fortaleza. Enquanto lá a banda teve em seu setlist “Roots, Bloody Roots”, aqui optaram pelo cover de “Polícia” dos Titãs, também presente no álbum “Roots” e que é tocada apenas por Max e Iggor, sem a presença da segunda guitarra e do baixo.

Como é de praxe, o show dos Cavalera teve dois atos. O primeiro terminou com a versão para banda de “Ace of Spades” do Motörhead, enquanto que no segundo foi a vez da supracitada “Polícia”, “Refuse/Resist” (do álbum “Chaos A.D”) e a segunda “surpresa” da noite: “Troops of Doom”, clássica música do Sepultura que, sempre que os irmãos estão em BH, conta com a presença de Jairo Guedz, membro fundador do Sepultura, no palco. Desta vez não foi diferente.

Com um Max carismático, um Iggor monstruoso nas baquetas, a precisão de Rizzo e a boa presença de palco de Leon, a apresentação dos irmãos em BH teve um saldo bastante positivo, com o Mister Rock recebendo um bom público. Agora é esperar para que eles retornem brevemente, seja com o Cavalera Conspiracy ou com o Soulfly de Max. Ambas as bandas tiveram álbuns lançados recentemente. O Rock Master, inclusive, analisou o álbum do Cavalera Conspiracy. A resenha você pode conferir aqui.

O Rock Master agradece mais uma vez à Márcio Siqueira e sua MS BHz pela oportunidade de mais esta cobertura.


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