Falta algo em “Bloodust”, novo álbum do Body Count

Olha aí mais uma colaboração do Rodrigo ‘Piolho’ Monteiro para o Rock Master!

O Body Count foi formado no começo dos anos 1990 porque, nas palavras do rapper Ice T, ele queria que seu amigo Ernie C, “pudesse tocar sua guitarra”. Em 1992, quando a América se rendia ao grunge, o Body Count fez sua estreia com um álbum auto-intitulado onde a mistura do rap com o metal soava bastante orgânica.

Vinte e cinco anos, quatro álbuns e três membros originais falecidos (o baterista Beastmaster V, em 1996, o baixista Mooseman, em 2001 e o guitarrista D-Rock the Executioner em 2004), o Body Count voltou com um novo álbum. “Bloodlust” foi lançado no ano passado e conta com a mesma formação do trabalho anterior, ou seja, Ice T nos vocais, Ernie C e Juan of the Dead nas guitarras, Vincent Price no baixo, Ill Will nas baquetas, Sean E. Sean nos samplers e Litte Ice nos vocais de apoio.

O que o Body Count tenta é mesclar o Rap de Ice T com o heavy/thrash metal e, infelizmente, os resultados aqui são, no mínimo, estranhos. Se, por um lado, o instrumental da banda é muito bom e as letras são agressivas e relevantes, por outro, o estilo vocal de Ice T não se encaixa muito aqui. Pode ser que no passado essa química tenha funcionado de maneira mais orgânica, mas, em “Bloodlust”, isso não acontece.

O problema é que a voz de Ice T e seu estilo vocal não combinam muito com uma música mais pesada e rápida, que é o que o Body Count faz. Dá pra ver que ele se sente muito mais à vontade em músicas como “Here I Go Again”, que é, basicamente, um rap com uma levada cadenciada, ainda que metal. Nas demais músicas, ele se esforça bastante e seus vocais são bastante agressivos, o que combina com as letras das canções, que focam bastante na questão racial, em violência e política. No entanto, pode ser seu estilo vocal ou mesmo seu timbre, mas, no geral, o produto aqui não ficou tão redondinho como poderia.

Isso não quer dizer que “Bloodlust” seja uma perda de tempo. Nem de longe. O álbum começa com um trio de boas músicas. “Civil War” tem uma levada bem legal, tipicamente speed metal, com Dave Mustaine (Megadeth) fazendo um discurso no começo e entregando um de seus solos característicos em seu encerramento; “The Ski Mask Way” tem um refrão grudento, enquanto que “This Is Why We Ride”, a faixa mais longa do álbum traz uma levada legal, ainda que a letra, muitas vezes, pareça mais adequada em um trabalho de rap do que de metal propriamente dito.
Além do trio inicial, “All Love Is Lost”, que traz Max Cavalera (Cavalera Conspiracy, Soulfly) e “Walk With Me”, a mais pesada do álbum e que conta com Randy Blythe, do Lamb of God, dividindo os vocais com Ice T, são destaques do trabalho.

“Bloodlust” tem 12 faixas, incluindo aí um cover para “Raining Blood/Postmortem”, onde, mais uma vez, se observa o que foi dito acima a respeito do vocal de Ice T. Ele se esforça, mas não consegue trazer a rapidez e a fúria necessárias para tornar sua versão algo sequer próximo à original. Os instrumentistas da banda, no entanto, fazem seu trabalho com louvor.

No fim das contas, “Bloodlust” é mais ou menos como “Kingdoms Disdained“, do Morbid Angel, do qual falamos na semana passada. É um bom álbum, mas nada extraordinário ou marcante, ainda que cinco de suas doze músicas sejam acima da média do que ouvimos por aí comumente.

“Bloodlust” foi lançado por aqui esse ano pela Hellion Records.

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