Trouble alcança a maturidade em “Run to the Light”

Olha aí mais uma colaboração do Rodrigo ‘Piolho’ Monteiro para o Rock Master!

Depois de lançar dois álbuns em sequência (“Psalm 9“, em 1984 e “The Skull” em 1985), os americanos do Trouble, pioneiros do Doom Metal passaram dois anos apenas excursionando e lidando com problemas internos, que resultaram na primeira mudança na formação da banda desde seu primeiro álbum. A “cozinha” do Trouble, formada pelo baixista Sean McAllister e pelo baterista Jeff Olson resolveu deixar o grupo para explorar novas paragens. Para seus lugares, foram convocados o baixista Ron Holzner e o baterista Dennis Lesh. A espinha dorsal da banda, composta pelo vocalista Eric Wagner e pela dupla de guitarristas Bruce Franklin e Rick Wartell continuou a mesma. Com essa nova formação, em 1987 o Trouble lançaria seu álbum mais maduro e menos surpreendente até então.

“Run to the Light” traz algumas mudanças no direcionamento musical do Trouble, mas nada que os afaste do Doom Metal com um toque de Speed Metal praticado por eles até então. O que o Trouble trouxe a mais para “Run to the Light” foi a adição de teclados em diversas passagens, cortesia de Daniel Long e Jeff Olson, que fez as vezes de tecladista na faixa que fecha o álbum, “The Beginning”, antes de deixar a banda.

No mais, “Run to the Light” mostra o mesmo Trouble dos álbuns anteriores, com seu Doom Metal com passagens ora influenciadas pelo Thrash, ora pelo Speed e mesmo pelo blues. O andamento das músicas, ainda que prioritariamente arrastado à la o que o Black Sabbath fazia nos anos 1970, é o que predomina por todo o álbum, cuja produção, ainda que superior à dos anteriores, não é nada extraordinária. O que, nesse caso, é algo positivo.

Uma outra característica de “Run to the Light” é o fato de, aqui, as letras de Eric Wagner mergulham ainda mais na Bíblia e em suas supostas mensagens. Apesar de ser uma banda cristã, o Trouble, até então, nunca havia dado um sentido de pregação em suas letras. Em “Run to the Light” essa característica se mantém, mas Eric bate forte no destino que aguarda aqueles que não aceitem a “verdade contida no cristianismo”, o que pode incomodar a alguns ouvintes. Para os que se focam mais na musicalidade, isso é o de menos.

Com oito músicas, das quais se destacam “The Mysery Shows”, “On Borrowed Time”, “Born in a Prison” e “Tuesday’s Child”, este terceiro álbum do Trouble chegou ao mercado brasileiro via Hellion Records e é mais uma pérola a ser apreciada pelos fãs do estilo.

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