FB 1964 – Störtebeker traz vida de pirata alemão para o metal

Olha aí mais uma colaboração do Rodrigo ‘Piolho’ Monteiro para o Rock Master!

O guitarrista alemão Frank Badenhop é uma espécie de Arjen Lucassen alemão no sentido de, a exemplo do multi-instrumentista holandês, ser um músico adepto de projetos grandiosos, com ares épicos, longos e recheados de convidados.

Em “Störtebeker”, seu segundo trabalho, o guitarrista criou uma ópera metal similar ao que vemos nos trabalhos do Avantasia de Tobias Sammet, ou, mais recentemente, na primeira parte de “Legend of Valley Doom“, de Marius Danielsen. Ao contrário dos anteriores, onde a história é calcada em elementos de fantasia e do gênero capa e espada, o trabalho de Badenhop reconta a vida de Klaus Störtebeker (ou Nikolaus Storzenbecher), o mais famoso pirata da história da Alemanha, nascido em 1360 e morto em 1401.

Para contar sua história, Frank teve a companhia de seus parceiros habituais, o baixista Mirko Gätje e o baterista Michael Wolpers. A essa base se juntou um total superior a 50 convidados, dentre os quais podemos destacar os vocalistas Bobby “Blitz” Ellsworth (Overkill), Chris Boltendahl (Grave Digger), David DeFeis (Virgin Steele), Gerre Jeremia (Tankard), Henning Basse (Firewind), John Gallagher (Raven), Ronnie Romero (Rainbow) e Udo Dirkschneirder (U.D.O., ex-Accept),. Já as seis cordas ficaram a cargo de grandes nomes do rock e do heavy metal, tais quais Axel Rudi Pell, David T. Chastain, Gary Holt (Slayer, Exodus), Jeff Loomis (ex-Nevermore, Arch Enemy), John Norum (Europe), Nita Strauss (Alice Cooper) e Victor Smolski (Almanac, ex-Rage). Há ainda a presença de Katie Jacoby e Ally Storch (violino) e Tina Guo (violoncelo) que trazem um ar de “música clássica” para coisa toda.

É claro que o fato de contar com tantos nomes ilustres – e alguns desconhecidos – apenas não quer dizer nada se a música feita por eles não for à altura de seus talentos. Sem contar que é uma tarefa bastante difícil dar “tempo de tela”, para usar uma expressão cinematográfica, suficiente para que se justifique a presença de cada um deles no processo. Felizmente, Frank Badenhop conseguiu fazer isso a contento, ainda que, para isso, tivesse que escrever músicas longas o suficiente para que todos os seus convidados mostrassem a que vieram. Assim sendo, das 12 faixas presentes em “Störtebeker”, nove superam a marca dos 5 minutos, tendo “Remember the Fallen”, com vocais de Chris Bolthendal, superando 11 minutos.

Musicalmente falando, “Störtebeker” é bem equilibrado. Mesmo sendo bem calcado no heavy metal tradicional, ele flerta em muitos momentos com o progressivo, o hard rock, o folk e mesmo o thrash metal. Isso torna sua audição prazerosa e bem menos cansativa do que poderia parecer haja vista a sua duração. O equilíbrio também se revela na ordem das músicas no álbum, que traz duas faixas instrumentais (a nada especial “Introduction” e a excelente “Hexenkessel”) e duas baladas (“Mortal Symphony” e “Seven Deadly Sins”) encaixadas em momentos chave da obra. “Restless and Wild”, “Orlog”, “Victual Brothers” e faixa título (cantada em alemão) além das supracitadas “Remember the Fallen” e “Hexenkessel” são alguns dos destaques do álbum.

Lançado por aqui pela Hellion Records, um dos aspectos legais de “Störtebeker” é o encarte. Com 32 páginas ele traz tudo o que o ouvinte precisa saber sobre o projeto, incluindo as letras, acompanhadas de fotos de cada músico presente em cada música e especificando exatamente o que ele faz ali: quem canta tal verso, quem faz tal solo, o que faz com que seja bem mais fácil para o ouvinte identificar o trabalho de cada um dos envolvidos.

“Störtebeker” bate na marca dos 76 minutos de duração. É uma audição longa, sim, mas não cansativa e deve atrair e agradar fãs de projetos como Avantasia e Ayreon.

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