Foto de capa: Alexandre Guzanshe
Edu Falaschi é um daqueles músicos que não para. Mal saiu da turnê “Masters of Voices” ele já embarcou em uma nova, a “Mi’raj & The Legacy Tour“, na qual celebra seus trinta e cincos anos de carreira. Entre um compromisso e outro, Edu cedeu um pouco de seu tempo para conversar com o Rock Master. Confira abaixo a íntegra da entrevista.
Rock Master: Você acabou de excursionar pelo Brasil com a turnê “Masters of Voices”. Poderia nos contar como foi essa experiência e o que diferenciou essa turnê das suas turnês tradicionais, fora a questão óbvia de dividir o palco com três outros vocalistas?
Edu: Foi uma experiência muito especial. Acho que o mais interessante não foi apenas dividir o palco com o Eric Martin, Jeff Scott Soto e Tim “Ripper” Owens, mas conviver com eles diariamente, trocar ideias sobre música, carreira, técnica vocal e até sobre a vida. Isso acaba enriquecendo qualquer artista.
Musicalmente, foi um desafio diferente. Em vez de estar conduzindo um show inteiramente baseado na minha história, eu precisava pensar no espetáculo como um todo, respeitando a identidade de cada cantor e criando uma dinâmica em que todos tivessem seus momentos de destaque. Isso exige maturidade e muito trabalho em equipe.
Também foi muito legal ver públicos de estilos diferentes reunidos no mesmo lugar. Tínhamos fãs do Mr. Big, do Judas Priest, do Yngwie Malmsteen, da minha carreira no Angra e solo. No fim das contas, a música falou mais alto. Foi uma celebração do rock e do heavy metal.
RM: Seu último álbum, “Mi’raj”, foi lançado há pouco mais de dois meses. No entanto, a turnê atual foca em suas mais de três décadas de carreira. Por que essa escolha? Há planos para uma turnê dedicada exclusivamente à divulgação de “Mi’raj”?
Edu: Na verdade, essa turnê já nasceu com esse conceito. Este ano completo 35 anos de carreira, então achei que fazia sentido criar um espetáculo que mostrasse toda essa trajetória, desde o Venus, passando pelo Symbols, Angra, Almah e chegando ao “Mi’raj”.
O novo álbum tem um espaço muito importante dentro do show. Nós apresentamos músicas inéditas, mas elas fazem parte de uma narrativa maior, que é justamente mostrar como toda a minha caminhada me trouxe até esse momento.
E, sim, existe a possibilidade de uma turnê ainda mais voltada para o universo da trilogia na real. Mi’raj é um álbum muito rico conceitualmente, faz parte da conclusão da trilogia iniciada em Vera Cruz e continuada em Eldorado, então ele permite uma abordagem bastante teatral e cinematográfica. É algo que eu gostaria muito de desenvolver no futuro.
RM: Ainda sobre “Mi’raj”, você disse recentemente que este seria seu último álbum “completo” de estúdio e que, daqui em diante, se focaria mais em singles. Essa é uma decisão definitiva ou apenas um sentimento momentâneo?
Edu: Hoje eu diria que é uma decisão bastante consciente. Produzir um álbum como Mi’raj toma muito tempo de trabalho, envolve dezenas de profissionais, músicos, orquestrações, mixagem internacional, conceitos, vídeos… É um investimento artístico enorme, no Mi’raj já chegou aos 100.000 reais de investimento pra vc ter uma idéia. Mas a forma como o público consome música mudou radicalmente, apesar de eu ter os melhores e mais fiéis fãs do mundo.
Hoje as pessoas vivem uma velocidade muito maior. Muitas vezes elas conhecem uma música nova e, poucos dias depois, já estão consumindo outra novidade. Então faz sentido lançar singles com maior frequência, mantendo uma conexão constante com o público.
Isso não significa que eu tenha deixado de gostar dos álbuns. Muito pelo contrário. Continuo apaixonado pelo conceito de uma obra completa. Mas acredito que o mercado atual pede uma estratégia diferente, e eu procuro equilibrar essas duas realidades.
RM: Falando sobre a nova turnê, como foi a preparação para ela? Quais os principais desafios na hora de escolher o setlist e, principalmente, revisitar músicas de Symbols e Venus depois de tanto tempo?
Edu: Foi um dos processos mais difíceis da minha carreira, até fiz uma enquete para os fãs me ajudarem a escolher.
Quando você tem 35 anos de estrada, inevitavelmente muita música boa fica de fora. A montagem do repertório virou quase um quebra-cabeça. Eu queria representar todas as fases da minha história sem deixar o show excessivamente longo.
Revisitar o material do Mitrium, Venus e do Symbols ta sendo emocionante. São músicas que representam o início de tudo, quando eu ainda estava descobrindo minha identidade como compositor e cantor. Tocá-las hoje é olhar para trás com muito carinho e perceber como aquela essência continua presente.
Ao mesmo tempo, eu também quis mostrar a evolução. O público consegue enxergar uma linha contínua entre aquelas primeiras composições e aquilo que faço hoje no Mi’raj.
RM: No show de BH, você tocará no Cine Theatro Brasil, um ambiente bastante diferente dos locais onde normalmente acontecem shows de metal. Quais suas expectativas para ele?
Edu: Estou muito animado! Sempre gostei da ideia de levar o heavy metal para ambientes diferentes. Quando você toca em um teatro histórico como o Cine Theatro Brasil, existe uma proximidade maior com o público, uma atenção diferente aos detalhes da apresentação e cenografia.
Como esse espetáculo tem uma proposta bastante narrativa e passa por várias fases da minha carreira, acho que esse tipo de ambiente favorece muito a experiência. É um lugar bonito, com uma acústica excelente e que certamente vai proporcionar uma noite muito especial.

RM: Uma pergunta de cunho mais pessoal, se me permitir. Meu primeiro contato com o Symbols foi através de “Stormy Nights”, presente no projeto “William Shakespeare’s Hamlet”. Alguma chance de a escutarmos no show de sábado?
Edu: Antes de tudo, fico muito feliz em saber disso. O Hamlet foi um projeto muito animal, super bem feito e acabou marcando uma geração de fãs.
Sobre “Stormy Nights”, eu nunca gosto de responder categoricamente nem que sim, nem que não, (risos) mas inicialmente não tiramos ela para tocar.
Sempre existem músicas que ficam na nossa cabeça e que, dependendo do momento, acabam aparecendo no repertório. Então prefiro deixar essa como uma pequena surpresa pro futuro.
RM: Finalmente, quais são os planos após essa turnê especial? Salvo engano, li em uma entrevista que você pretendia revisitar os álbuns “Aqua” e “Aurora Consurgens” em uma nova série de shows. Em sua opinião, qual é o principal motivo de esses álbuns serem tão pouco valorizados pelos fãs em comparação com, por exemplo, “Temple of Shadows”?
Na verdade, o especial “Aurora Consurgens” e “Aqua”, que são discos que considero extremamente importantes artisticamente, faz parte dessa turnê!
Na minha opinião, a comparação constante com “Temple of Shadows” acaba sendo inevitável porque ele se tornou um clássico muito rapidamente. Quando um álbum alcança esse status, tudo o que vem depois acaba sendo analisado sob essa referência.
Mas acredito que, com o passar dos anos, muita gente começou a revisitar “Aurora” e “Aqua” com outros olhos. Hoje vejo um reconhecimento muito maior do que existia quando eles foram lançados.
Esses discos têm uma riqueza harmônica enorme, arranjos muito sofisticados e propostas conceituais bastante complexas.
Belo Horizonte recebe a “Mi’raj e The Legacy Tour” neste sábado, 08 de agosto, com abertura de portas prevista para as 20h00 e início dos shows às 21h00 no Cine Theatro Brasil. Ingressos à venda no Eventim.
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