Fabio Lione inicia nova turnê com show intimista em Belo Horizonte

Fotos: Clovis Roman (@clovis_roman)

Fabio Lione pode até ter encerrado, pelo menos por enquanto – já que o futuro na música é bastante incerto – sua passagem de mais de uma década no Angra, mas sua relação com o Brasil não parece ter previsão de acabar tão cedo.

Mal o “mago” encerrou uma boa sucedida turnê solo – com o show de Belo Horizonte coberto pelo Rock Master – o cantor italiano embarcou em uma nova série de shows, cujo pontapé inicial se deu justamente na capital mineira, dessa vez no Teatro Padre Machado, um lugar mais acanhado, mas bastante acolhedor.

Intitulada simplesmente “Fabio Lione & Orquestra”, a turnê dá um spoiler logo em seu nome já que, nessa série de shows, o italiano é acompanhado de uma pequena orquestra, além de uma banda de apoio formada por Jef Silva e Thiago Maranduba (guitarras), Fernando Poi (baixo), Adailton Domingues (bateria) e Flavio Sallin (teclado). O setlist dessa turnê também é diferente. Se na anterior o vocalista italiano fez um apanhado de toda sua carreira, passando por Rhapsody, Rhapsody of Fire (mesma banda, nome alterado devido a brigas por direitos autorais), Angra, Kamelot e Vision Divine, dessa vez o foco principal foi outro: o álbum “Dawn of Victory”, terceiro da discografia do Rhapsody e um dos mais bem sucedidos da banda.

E a primeira parte do show cobriu exatamente isso, com o álbum sendo executado em sua integralidade, e, segundo o próprio vocalista, com algumas músicas fazendo sua estreia ao vivo. Os destaques aqui ficam para “Dawn of Victory”, “Holy Thunderforce”, “e “Dargor, Shadowlord of the Black Mountain”.

Além de “Dawn of Victory”, Fabio e sua banda revisitaram outros momentos do Rhapsody. Aqui podemos destacar a emocionante “The Magic of the Wizard’s Dream” (com Fabio relembrando a experiência de gravá-la ao lado do falecido Christopher Lee), “Lamento Eroico” (cantada em italiano), “Wisdom of the Kings”, a clássica “Emerald Sword” (uma das preferidas dos fãs) e a surpreendente “The Wizard’s Last Rhymes”. No que seria o bis em uma apresentação “normal” (já que a banda não saiu do palco), cantor e banda se dedicaram a músicas diversas e que não fazem parte da carreira de Fabio, tais quais “Miss Sarajevo” (U2), “Tears of the Dragon (Bruce Dickinson), e Silent Lucidity (Queensrÿche), antes de encerrar as duas horas de boa música voltando ao Rhapsody com “Land of Immortals”.

Talvez o aspecto mais interessante de um show de Fabio Lione não seja o seu alcance vocal (que é absurdo) nem a capacidade técnica dos músicos que o acompanham e sim seu domínio de palco. Fabio é daqueles raros cantores que sabem interagir com seu público e fazem isso o tempo todo. O homem não só conta anedotas como conversa com a audiência, e coloca a galera para participar o tempo todo, seja coletiva, seja individualmente. Aproveitando-se do tamanho mais intimista do teatro, ele, por mais de uma vez, desceu do palco para cantar no corredor central e mesmo sentou-se em uma das poucas cadeiras vazias para ser alvo de selfies enquanto banda e orquestra executavam partes instrumentais intricadas. E essa relação não se limita ao público: por diversas vezes ele elogiou banda e orquestra, fez piadas e tornou todo o clima que já era bom bastante agradável e conquistando a simpatia de todos.

A turnê, uma produção da Estética Torta, segue pelo Brasil antes de se aventurar pela América Latina. Esperamos que todos os que compareçam tenham a mesma experiência deste que vos escreve. E que essa relação Itália-Brasil continue por bastante tempo.

O Rock Master agradece à Estética Torta na figura de Clovis Roman pela parceria que nos proporcionou a cobertura de mais esse evento.

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