Amorphis dá pontapé inicial em turnê brasileira com bom show em BH

Fotos: Rodrigo Monteiro

Formado em Helsinque, em 1990, o Amorphis construiu uma das trajetórias mais interessantes do metal finlandês. Nascida como uma banda de death metal, com o tempo o grupo ampliou progressivamente seus horizontes sonoros, incorporando elementos de folk, música progressiva, psicodelia e melodias de inspiração nórdica. O divisor de águas veio com “Tales from the Thousand Lakes” (1994), álbum que ajudou a estabelecer sua identidade musical e se tornou um clássico do metal extremo melódico.

Ao longo de quase quatro décadas de estrada, o Amorphis, agora tendo na formação Tomi Joutsen (vocais), Esa Holopainen e Tomi Koivusaari (guitarras), Olli-Pekka “Oppu” Laine (baixo), Santeri Kallio (teclados) e Jan Rechberger (bateria), tem uma discografia com 15 álbuns de estúdio (14 de composições originais e um de covers. Singles e EPs não entram nessa conta). O último “Borderlands” é a razão para a turnê atual que, com três datas no Brasil, começou no sábado, 17 de outubro de 2026 em Belo Horizonte.

A noite, no entanto, foi aberta pelos paulistas do Throw Me To The Wolves, quinteto liderado pelo carismático Diogo Nunes (vocais) e que conta com Gui Calegari e Fabrício Fernandes nas guitarras, Fábio Fullini no baixo e Maycon Avelino nas baquetas. Diferente do Amorphis, que apresenta uma sonoridade mais variada, o TMTTW faz um death metal clássico no sentido de sua música ser rápida e pesada, com os vocais gritados de Diogo dando o tom. Com pouco mais um ano desde o lançamento de seu álbum de estreia, “Days of Retribution”, essa é a terceira passagem da banda por Belo Horizonte e a turnê atual tem função dupla: não só divulgar o primeiro álbum como começar a testar como o público recebe as novas composições.

Fazendo um show compacto, com menos de 40 minutos de duração, a banda tocou com precisão músicas como “Murderer”, “Gaia”, “Angels Fall” e “Forsaken Fears”, causando uma boa impressão no público que, aos poucos, ia chegando ao Mister Rock.

Não demorou muito para a atração principal adentrar o palco, exatamente no horário divulgado pela produção (algo não muito comum em se tratando de shows de heavy metal), iniciando os trabalhos com “Bones”, música presente em “Borderlands”, álbum que dominou as ações da noite. Cinco das 15 músicas tocadas neste show foram focadas no 15º álbum de estúdio da banda, algo mais do que natural.

Diferente de vocalistas mais carismáticos, Tomi não é um cara que interage muito com o público. O fato de ser finlandês e não dominar nosso idioma pode ser um dos motivos para isso. Isso, no entanto, acaba sendo um fator menor, dada a presença de palco do cara, que se entrega totalmente às músicas que canta e tem um bom alcance vocal, variando voz limpa e gritos guturais de maneira bastante fluida. O resto da banda não fica atrás e mostra que décadas de estrada podem fazer a diferença principalmente quando é sua estreia em uma nova cidade. Mesmo priorizando “Borderlands”, o Amorphis fez um bom apanhado de sua carreira, e músicas como “The Castaway”, “The Moon” e “House of Sleep”, com seu refrão cantado em uníssono pelo público, mostraram que a banda sabe bem dosar seu setlist.

Uma estreia digna para uma casa que, se não estava cheia, recebeu um público empolgado que fez a banda se sentir bem-vinda e, esperamos retorne à cidade mais vezes.

Agradecimento: Marcos Franke (Franke Comunicação) e Márcio Siqueira (MsBHZ).

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