Fotos: Rodrigo Monteiro
No começo dos anos 1990, um quarteto de violoncelistas de Helsinki, capital da Finlândia, resolveu que seria uma boa ideia adaptar as músicas do Metallica para seus instrumentos. O resultado dessa ideia se materializou em 1996 quando, o então quarteto chamado Apocalyptica entrou em estúdio e saiu de lá com seu primeiro álbum, intitulado, apropriadamente “Plays Metallica by Four Cellos”.
A ideia fez tanto sucesso que deu o pontapé inicial para a carreira da banda que, ao longo dos anos, diversificou sua sonoridade no sentido de também produzir um grande número de músicas originais, ainda que, em sua maioria, com um pé bem fincado no heavy metal e no rock and roll.. A relação com o Metallica, inclusive, permaneceu bem forte. Assim, depois daquele primeiro registro (e agora reduzido a um trio de violoncelos) em 2024 o Apocalyptica lançou o que seria uma “continuação” de seu trabalho original na forma de “Plays Metallica, Vol.. 2”. Desde então, a banda atualmente formada por Eicca Toppinen, Paavo Lötjönen e Perttu Kivilaakso, apoiada pelo baterista Mikko Kaakkuriniemi, vem excursionando pelo mundo divulgando o álbum. Belo Horizonte, que recebeu a banda pela primeira vez em 2017, teve o privilégio de vê-los em ação novamente em 18 de outubro de 2026.
Uma coisa que é preciso deixar clara logo de cara é que, apesar de terem que lidar com instrumentos grandes e relativamente desajeitados, o Apocalyptica não é a típica banda que fica sentada o tempo todo tocando seus violoncelos. Muito antes pelo contrário. À exceção de raros momentos mais calmos, os caras têm uma excelente presença de palco e o espectador se sente realmente em um show de heavy metal. Eles passam boa parte do show “batendo cabeça”, pulando e se movimentando o máximo que conseguem. Nesse quesito, Perttu acaba sendo o condutor do espetáculo. Tendo um papel na banda que permite que possa deixar de tocar seu instrumento por alguns instantes, ele pula, corre, gesticula e agita o público o tempo todo, até mesmo dando uma de cantor, ainda que por poucos momentos. O homem chega a se jogar no chão e tocar seu violoncelo ali mesmo. Imagino o que ele faria em cima do palco se carregasse uma guitarra ao invés de um instrumento tão desajeitado…
Se os também finlandeses do Amorphis são mais discretos em relação à interação com o público, o Apocalyptica vai pelo outro extremo, com o supracitado Perttu e Eicca se revezando no microfone para conversar com o público em cada oportunidade que surge, conseguindo boas reações daqueles que entendem o inglês carregado de sotaque que eles falam.
Ah. Antes que eu me esqueça, a música também tem um papel de destaque no show da banda, que faz releituras excepcionais de alguns dos principais sucessos do Metallica – e mesmo alguns de seus “fracassos”, como “St.Anger”. Dentre elas, podem ser destacadas “Creeping Death”, “For Whom the Bells Toll”, “Enter Sandman”, “Nothing Else Matters” (numa versão ainda mais emocional do que a original), “One” e, claro “Master of Puppets”, todas muito bem recebidas pelo público e, muitas vezes, cantadas em uníssono por ele. Saindo um pouco do Metallica, talvez por ser Brasil, talvez por ser a casa dos caras, o Apocalyptica também apresentou em seu setlist uma versão surpreendentemente pesada para “Refuse/Resist” do Sepultura.
No fim, o Apocalyptica deixou, nas dependências do Mister Rock, um público mais do que satisfeito com sua performance que, combinando maestria musical e entretenimento puro, faz jus à alcunha de “show”. Que não demorem mais nove anos para retornar.

O Rock Master agradece ao empenho de Lucélio Henrique, do Mister Rock, que nos proporcionou mais essa cobertura em sua casa de shows.
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