Resenha: “Ode to Death” – Witchhammer

Formada em 1986 em Belo Horizonte e ainda gozando de bastante reconhecimento no underground da capital mineira, o Witchhammer faz parte da primeira onda das bandas locais a revolucionar a música extrema no país e a influenciá-la no resto do mundo. O quarteto teve seus primeiros registros na coletânea “Warfare Noise II”, de 1987 e, no ano seguinte fez uma estreia apropriada com “The First and the Last“, ambos lançamentos de nossa parceira Cogumelo Records.

Depois de outros álbuns e dos períodos de hiatos típicos de bandas adeptas a um som mais “extremo”, eis que em 2006 o Witchhammer voltou ao mercado com “Ode to Death”, um álbum que a Cogumelo, em parceria com a Voice Music relançou por ocasião de seu aniversário de duas décadas. Como tudo o que a Cogumelo faz, esse relançamento veio em edição de luxo em formato slipcase e poster 36×36, além de trazer regravações para as músicas “Weekend in Auschwitz” (originalmente presente em “Warfare Noise II”), “Dartherium” (de “The First and the Last”) e uma versão para “Perseguição”, da banda Sagrado Inferno.

Dito isso, “Ode to Death” é um verdadeiro desfile de faixas completamente calcadas no thrash/death metal old school oitentista, trazendo ainda influências de punk aqui e ali. Casito (baixo e vocal), Paulo Caetano (guitarra e vocal), Rogério Sena (guitarra) e Teddy (bateria) fazem um metal extremo sem concessões modernas, apresentando um som bastante cru e direto, em uma produção onde tudo está bastante equilibrado. Essa, inclusive, é a única “modernidade” encontrada em “Ode to Death”. Enquanto outras bandas de thrash/death adotaram teclados e demais influências mais modernas na medida em que suas carreiras avançaram, o Witchhammer manteve-se fiel a suas raízes e isso é um dos motivos que faz desse álbum algo tão bom.

“Ode to Death” é homogêneo na qualidade de suas músicas e é difícil elencar destaques. De “Ouija Board”, que inicia os trabalhos a “Worldegeneration” (deixando de fora “Perseguição”, por ser uma faixa cover), o Witchhammer mostra um trabalho furioso, com vocais ora gritados, ora urrados, guitarras variando entre velocidade e levadas mais cadenciadas e uma cozinha muito bem encaixada, com Casito e Teddy dando todo o apoio necessário para que as guitarras de Paulo e Rogério façam aquele trabalho típico de bandas adeptas ao thrash/death.

No resumo da ópera, “Ode to Death” é mais um bom álbum a sair da cena mineira e um belo resgate da Cogumelo. Como o petardo ainda não se encontra disponível no Spotify e similares, a melhor forma de conferir essa pérola é adquirindo-o através deste link. Garanto que todo headbanger de respeito deve ter “Ode to Death”.

Agradecimentos: João Eduardo (Cogumelo Records)

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