O Sarcófago foi criado em 1985, em Belo Horizonte, Minas Gerais e, inicialmente, contava com a presença de Antichrist (vocais), Incubus (baixo), Butcher (guitarra) e Leprous (bateria). Seu primeiro registro foi na coletânea Warfare Noise da Cogumelo Records ao lado de nomes seminais do metal extremo de Minas Gerais, tais quais Chakal, Mutilator e Holocausto.
Mas a verdadeira estreia do quarteto se deu com “I.N.R.I”, um álbum de extrema importância não só para a dita música pesada mineira. Em 1987, uma época em que a troca de música era feita através de fitas K7, o trabalho do Sarcófago ultrapassou fronteiras e deu à banda notoriedade mundial. Nomes como Euronymous, guitarrista fundador do Mayhem, um dos principais responsáveis por dar início à segunda onda do black metal, o chamado true Norwegian black metal, sempre citava o trabalho dos mineiros como uma de suas principais influências. Aqui há uma mudança de formação, com D.D. Crazy substituindo Leprous nas baquetas.

“I.N.R.I” é um álbum tão fundamental por estar entre os percursores de um tipo de heavy metal que procurava se distanciar do thrash e, principalmente, do Glam rock/hair metal que predominavam nos anos 1980, procurando navegar por águas mais “agitadas”, por falta de um termo melhor. Aqui o que importa é a velocidade e a crueza do som, com demonstrações de técnica mais apurada restrita aos solos de Butcher. O Sarcófago se focava na agressividade. Os vocais de Antichrist e as viradas de bateria de D.D., aliado às linhas de baixo absurdamente rápidas de Incubus se somavam à guitarra veloz de Butcher, que mostrava alguma virtuose em seus solos, mas apenas por alguns segundos e sempre à favor de passar a ideia que a banda queria transmitir. Toda essa agressividade sonora era complementada pela temática das letras, que variavam entre adoração a Satã, rebelião contra a religião e, claro, sexo.
Quase 40 anos depois de seu lançamento original., a Cogumelo Records resolveu resgatar essa pérola dos anos 1980 que traz músicas como “Nightmare”, “I.N.R.I”, e “Deathrash” entre seus destaques. Como sempre, o álbum foi remasterizado (ainda que mantenha toda a produção crua da época) e vem no formato slipcase, trazendo um pôster dupla-face 36×36. A Cogumelo contou com a parceria da Voice Music e da Mutilation Productions para essa inicativa e caprichou na apresentação do material gráfico, que recebeu tratamento especial: a capa original do LP na cor laranja está presente, em hot stamp. O poster conta com as duas capas (azul e laranja), bem como fotos inéditas da sessão de fotos da época do álbum.
Mesmo estando disponível digitalmente, “I.N.R.I” é outro relançamento da Cogumelo que merece ocupar um espaço físico na coleção de qualquer headbanger que se preze.
Agradecimentos: João Eduardo (Cogumelo Records)
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